31
jan
10

O Bolo do amor por Catherine Deneuve

Não consegui conter meu entusiasmo com “Pele de asno”. Pra quem ainda não foi convencido a assiti-lo pelo post anterior, aqui vai um trecho do filme.

“Pele de asno” (“Peau d’âne”), de Jacques Demy, 1970

Com Catherine Deneuve, Jean Marais e Jacques Perrin.

26
jan
10

Jacques Demy, filmes bonitos e idéias sobre “Onde vivem os monstros”

“Pele de asno” (“Peau d’âne”), de Jacques Demy (1970)

Um daqueles bem especiais. Influenciada pela Agnès Varda, fui assistir aos filmes do Jacques Demy – seu marido – e por conta dele me aproximei dos musicais. “Pele de asno” não foi fácil de encontrar e assisti-lo depois de tanta procura foi só delicioso. Catherine Deneuve é sua atriz-fetiche e aqui, neste filme realizado três anos depois de “Duas garotas românticas” e após a premiação de “Os guarda-chuvas do amor” em Cannes, está ela novamente. Ambientado em um reino distante,  uma rainha no leito da morte obriga o rei a fazer uma promessa: ele só se casaria outra vez se a pretendente fosse mais bonita que ela. Com a morte da mulher, o rei sai em busca da tal pretendente. No entanto, a única mulher mais bela que sua falecida esposa é sua filha, a princesa interpretada por Catherine Deneuve. Longe da culpa moral e sem entrar na discussão sobre o suposto incesto, a princesa pede conselhos à sua fada-madrinha que lhe proíbe de aceitar o pedido de casamento, ao qual a princesa tendia a ceder. Num ambiente ora infantil, ora surrealista, se desenvolve essa trama cheia de boas e más intenções. A estratégia para adiar a cerimônia é fazer pedidos de casamento difíceis de serem atendidos e, quando nenhum pedido pode mais ser feito, se refugiar em uma floresta vestindo uma pele de asno. E ali, trabalhar como criada e esperar que um príncipe note sua beleza enquanto todos  os outros a desprezam.

E porque não assistir – ou voltar a assistir – a esses três filmes de Jacques Demy? Me aproprio deles e os chamo de trilogia. “Pele de asno” é o menos musical, no sentido estrito, dos três. “Os guarda-chuvas do amor” é o primeiro filme totalmente cantado e, dizem por aí, roubou a Palma de Ouro de “Deus e o Diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha. “Duas garotas românticas” já valeria pelo dueto de Françoise Dorleac e Catherine Deneuve, irmãs na trama e na vida real. Doleac, em seu último filme, morre tragicamente na época do lançamento de “Duas garotas românticas”. Os três tem produção musical de Michel Legrand, compositor e pianista que é um dos grandes nomes do jazz.

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“A cidade das crianças” (“Les enfants de Timpelbach”), de Nicolas Bary (2008)

Bastante atrativo para crianças, mas fico em dúvida se é esse seu público-alvo. Certamente, de tão bonito está fácil de agradar adultos. Em tom fabulesco, garotos de mau comportamento são castigados pelos pais e professores. Os adultos decidem pregar uma peça nos pequenos ao abandonar a pequena cidade de Timpelbach por um dia, deixando-os desamparados. No entanto, os adultos são tomados como reféns pela cidade vizinha, o que os impede de voltar. Na ausência dos adultos, os pequenos se dividem em bandos, um deles formado por crianças boas e outro pelo grupo de crianças marginais. É aí que o filme se torna interessante. Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa. Da inocência infantil, pontuada por pequenas travessuras, o filme adquire um tom um pouco assustador. Já que os adultos estão ausentes, alguém deve ocupar o lugar deles. E as crianças apreendem fácil a truculência e a burocracia. Temperado por belíssimo figurino e fotografia – onde a verossimilhança está bem em segundo plano – é esta uma daquelas histórias fantásticas e de grande sensibilidade plástica.

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“Onde vivem os monstros” (Where the wild things are”), de Spike Jonze (2009)

Spike Jonze, tal qual Michel Gondry, saiu do vídeo clipe. A comparação destes dois vem, na minha cabeça, por terem uma forte marca autoral que é, de maneira abrangente, bem similar. Esta marca é a loucura ou estranheza, que em Gondry está presente mais nos artifícios de montagem e efeitos de câmera e que, em Jonze, se mostra mais forte na narrativa. Em “Onde vivem os monstros”, filme que andam chamando de infanto-juvenil, um garotinho mimado se reclusa em seu mundo imaginário, habitado por criaturas peludas que o consagram rei. O filme tem efeitos maravilhosos onde se percebe o cuidado com cada detalhe – não sei quanto tempo demorou a ficar pronto, mas é o primeiro longa de Jonze desde 2002. Plasticamente, o filme é impecável – os monstros me lembraram os da saga “A história sem fim”, alguém compartilha comigo essa impressão? Mas o que me impressionou mesmo foi a verossimilhança com situações típicas de criança. Me vi bastante neste filme. Na inocência das situações, nos bonequinhos de miolo de papel higiênico, na cabaninha feita na cama da mãe. O ponto de vista da criança está por completo e me arrisco a dizer que este é um filme audacioso sobre a infância, para adultos.

Veja também:

Versões para os personagens do livro que deu origem ao filme

Make a monster (esse link é bobo, ok?)

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“Pele de asno” (“Peau d’âne”), de Jacques Demy, 90 minutos

DVD pela Dreamland.

“Cidade das crianças” (“Les enfants de Timpelbach”), de Nicolas Bary, 95 minutos

DVD pela Califórnia Filmes.

“Onde vivem os monstros” (“Where the wild things are”), de Spike Jonze, 101 minutos

Em cartaz nos cinemas.

17
jan
10

“Não, minha filha, você não irá dançar”, novo filme de Christophe Honoré, estreou essa semana nos cinemas

Distante da badalação dos concorrentes ao Globo de Ouro, está o lançamento do novo de Christophe Honoré. O filme chega aos cinemas brasileiros com alguns meses de atraso, tendo passado pela mostra de São Paulo em outubro. Honoré é o diretor de “A bela Julie” (2007) e “Canções de amor” (2008) e deus queira que ele continue lançando um filme por ano.

"Não, minha filha, você não irá dançar" ("Non ma fille, tu n'iras pas danser", 2009)

Em “Não, minha filha, você não irá dançar”, Honoré traz alguns elementos que ja estavam presentes ao menos em dois de seus filmes anteriores: a obsessão com certos atores – grande ponto de reconhecimento de suas obras -, a crise no ambiente familiar e a iminência da morte. A protagonista, Lena, é agora interpretada por Chiara Mastroianni – filha de Marcelo Mastroianni e Catherine Deneuve. Chiara aparece no filme de 2007 num pequeno e charmoso papel e, no de 2008, ganhando maior visibilidade como a irmã da protagonista. Louis Garrel, como não poderia deixar de ser, também está de volta. Por outro lado, Honoré deixa de lado o romantismo das músicas cantadas pelos personagens para abordar a intensidade de um drama feminino.

A ação que antes se desenvolvia pela tensão sexual, anda em “Não, minha filha…” a partir do drama da protagonista, uma mulher recém-divorciada em fuga. A primeira cena do filme adianta ao espectador o caos vivido por Lena. Numa estação de trem movimentada, ela procura o filho que se perdeu. Mantendo nos braços a outra filha pequena e carregando uma mala, ela grita pela criança e a encontra perto de um pombo ferido. Convencida pelos pequenos, ela esconde o pombo na bolsa e o leva para casa. No entanto, o pombo morre e Lena é acusada pelo filho, uma criança de cerca de dez anos – que, por mais contraditório que possa ser, é o ponto de equilíbrio da mãe – de não conseguir nem “manter um pombo vivo”. Lena é uma mulher confusa que busca apoio de seus pais controladores, cheia de vontades e desvontades, numa quase paródia da situação feminina. Uma grande personagem com uma grande interpretação de Chiara. Outro elemento bastante interessante desse filme é o espaço para o desenvolvimento de outros personagens. Há uma sequência primorosa onde se mostra a história que o filho de Lena lhe conta através de imagens de sua imaginação. Pausa admirável, assim como a trilha sonora a cargo de Anthony and the Johnsons.

Pra mim é muito dificil desvencilhar as três obras de Honoré. Acredito que, para quem ainda não conhece o trabalho do diretor, será um grande prazer ver os três filmes na sequência.

"A bela Julie" ("La belle personne", 2008)

"Canções de amor" ("Les chansons d'amour", 2007)

“Não, minha filha, você não irá dançar”, de Christophe Honoré,105 minutos.

Assista ao trailer do filme.

Lançamento em 15 de janeiro de 2010.

15
jan
10

Alguns dos filmes que concorrem ao Globo de Ouro de 2009 serão lançados nos próximos dois meses

A premiação do Globo de Ouro acontece no próximo dia 17 e, com o atraso que já é característico, alguns dos principais concorrentes estréiam no Brasil logo na sequência. Boa estratégia, não?

Veja aqui a lista completa dos concorrentes ao 67º Globo de Ouro. Na sequência, alguns dos filmes que serão lançados em breve.

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“Amor sem escalas” (“Up in the air”), de Jason Reitman.

Estréia em 22 de janeiro. Concorrente aos prêmios de melhor filme dramático, diretor, roteiro, ator e duas vezes a atriz coadjuvante.

Este filme lidera com seis indicações. Do diretor de “Juno” e “Obrigado por fumar”, é uma grande produção num disfarce despretensioso. O elemento inusitado da vez é George Clooney, executivo que trabalha numa empresa que é contratada para demitir funcionários. Com essa função, ele viaja todo o país e incorpora metodicamente os aeroportos em sua rotina. Quase impassível à angústia daqueles que demite, sua vida será bagunçada com a entrada de uma garota que propõe uma nova maneira de se realizar o trabalho na empresa. E assim como nos outros dois filmes de Reitman, o desenlace se distancia do convencional. Filme bom e divertido que, na categoria de melhor do ano, será encoberto pelos mais impactantes “Bastardos Inglórios”, “Preciosa” e “Avatar”.

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“Preciosa” (“Precious”), de Lee Daniels.

Estréia em 29 de janeiro. Concorrente aos prêmios de melhor filme dramático, atriz e atriz coadjuvante.

Nada de preconceito só porque este lançamento traz a Mariah Carey em um dos papéis e é produzido pela Oprah. O filme tem um apelo enorme que pode distanciar parte do público, é bem verdade, mas esse filme não é nada “Glitter”. Ainda não pude assisti-lo, mas pelo trailer me pareceu um filme bastante atrativo e, com certeza, vou querer ver logo na estréia. Ele é ambientado no subúrbio de Nova York, anos 80, onde vive uma adolescente pobre, negra e gorda que sofre abusos de seu pai e violência física de sua mãe. A garota está grávida e é mãe de uma criança apelidada de mongo por ser portadora de síndrome de Down. Na nova escola, para onde é obrigada a ir depois de ser suspensa da que estuda, Preciosa encontra ajuda e uma maneira de se refugiar de seus problemas. Bullying, preconceito, pobreza, e por aí percorrem as discussões que serão estimuladas pela fita.  Estou ansiosa pra saber qual o efeito deste filme.

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“Nine”, de Rob Marshall.

Estréia em 29 de janeiro. Concorrente aos prêmios de melhor musical ou comédia, atriz, atriz coadjuvante e canção original.

O novo musical do diretor de “Chicago” não foi bem aceito pelos críticos. Depois de “Avatar”, é um dos filmes mais apelativos do ano. Traz no elenco uma sequência de ganhadores de Oscar capaz de convencer quase qualquer pobre alma a assisti-lo. No entanto, é um filme regular pontuado por ótimas cenas. A música concorrente a melhor canção original – “Cinema italiano”, com Kate Hudson – é muito boa, assim como outras duas das nove canções do filme, a protagonizada por Fergie e a outra por Penelope Cruz. O título faz referência direta ao “81/2″ de Felinni. Referência que está também na trama do musical, onde um diretor de cinema sofre uma crise de criatividade. Entre Fergie e Mariah, fico com a segunda.

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“Guerra ao terror” (“The hurt locker”), de Kathryn Bigelow.

Estréia em 5 de fevereiro. Concorrente aos prêmios de melhor filme dramático, diretor e roteiro.

Disponível em DVD desde abril do ano passado, a estréia deste filme nos cinemas veio corrigir uma grande mancada do distribuidor. As obras que abordam este mesmo tema já ganharam um gênero próprio. E “Guerra ao terror” supreendeu muitos críticos e é considerado um dos melhores Iraq movie. Como não podia deixar de ser, é também um filme de ação que tem como protagonistas soldados que trabalham na ingrata tarefa de desativar bombas durante a guerra. No entanto, o filme não está a procura do soldado heróico e patriota. São homens que estão ali porque aquela é sua função – um dos níveis de uma guerra que é realizada sem muitos motivos. Filme imperdível.

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“Entre irmãos” (“Brothers”), de Jim Cheridan.

Estréia em 12 de fevereiro. Concorrente aos prêmios de melhor ator e melhor canção original.

Ótimo drama que traz novamente o tema da guerra, sendo desta vez o Afeganistão. É, assim como em “Guerra ao terror”, uma visão crítica dos abusos e motivos que envolvem esse embate com um elemento a mais, que é o drama insolucionável do protagonista. Dado como morto, ele volta para casa depois de ser tomado como refém pela tropa inimiga. Abalado e angustiado, ele reaparece e descobre que seu irmão – homem irresponsável e de comportamento adolescente – , esteve presente na vida de sua família durante a sua ausência. Resta agora tentar sobreviver a mais essa situação utilizando a mesma estratégia da guerra, a desconfiança. É mais um filme imperdível.

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“Simplesmente complicado” (“It’s complicated”), de Nancy Meyers

Estréia em 26 de fevereiro. Concorrente aos prêmios de melhor musical ou comédia, roteiro e atriz.

Uma das grandes comédias românticas do ano. O diferencial – ao menos da grande massa de comédias românticas – está em tomar como personagens homens e mulheres de meia-idade. Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin formam o triângulo amoroso nesta história na qual a esposa, depois de passar pelo divórcio, acaba se tornando a amante do ex-marido. É da mesma diretora de “Alguém tem que ceder” e “O amor não tira férias”. Não tenho muitos palpites sobre esse filme e tampouco é um tipo de cinema que me atrai. Talvez seja mais um que ficará ofuscado pela presença de outros filmes que são bem mais fortes.

03
jan
10

Madame Tutli Putli

Enquanto não preparo um post decente pra começar o ano, deixo aqui um presentinho. Se chama “Madame Tutli Putli”, curta-metragem ganhador do prêmio de melhor animação no Anima Mundi de 2008.

have fun.

“Madame Tutli Putli”, de Chris Lavis e Maciek Szczerbowsku, 17 minutos, Canadá.

http://www.imdb.com/title/tt1029440/

18
nov
09

“Lula, o filho do Brasil”, de Fábio Barreto, abre o 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

O filme mais caro da história do cinema brasileiro foi exibido ontem na abertura do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Em sessão restrita a convidados e com casa cheia – ou seria abarrotada – foi feito o pré-lançamento de “Lula, o filho do Brasil”, o mais recente filme de Fábio Barreto que só chegará aos cinemas em janeiro de 2010.

Em um sertão onírico, pastel e límpido, surge Luis Inácio. A primeira cena do filme, como era de se esperar, mostra seu nascimento. A partir daí se limita a relação dos dois personagens centrais do filme: a mãe, figura forte, quase onipotente, e o filho, personagem que está sempre – e sempre se refere ao tempo inteiro – enquadrada pela câmera. O longa não abre espaço para tramas paralelas e persegue obsessivamente seu protagonista, numa obviedade quase desnecessária. Por certos momentos, até parece que Lula é filho único, pois as cenas de família são centradas na sua relação com a mãe e, os irmãos, mesmo quando presentes nas cenas, servem só como elementos de cenário. Se houve a necessidade de começar sua história com o nascimento e início da infância no sertão pernambucano, que isso fosse feito com equidade. São cenas lindas, mas soam bastante falsas. Tom que também está presente na chegada da família a São Paulo. O cais de Santos nunca pareceu tão claro. O indício da pobreza está no bege. É como se o público devesse sentir pena, mas não asco.

Outro ponto que deve ser discutido é a necessidade de se abordar grande parte dos eventos importantes da vida de Lula. Essa obrigatoriedade faz com que o filme não dê tempo às ações. Até o início de Lula no movimento sindical, o filme é bastante corrido. Este é o primeiro conflito compreensível do filme e, diferente do que havíamos acompanhado até aqui, está bem construído. A aproximação é vagarosa e os motivos da personagem finalmente abrangem o público. É aí que o filme realmente começa. A interpretação de Rui Ricardo Dias é espetacular e com ele o filme ganha humanidade. No entanto, outros eventos da vida de Lula continuam a ocorrer com rapidez, sem a dramaticidade exigida – como, por exemplo, a morte da primeira esposa e o acidente que lhe amputou o dedo -, estando ali para cumprir o protocolo de abordar os grandes feitos de sua vida. Faltou agilidade no uso de elementos básicos do cinema. Todas as críticas que normalmente são direcionadas a filmes adaptados de obras literárias caberiam neste filme. Ele é feito em tópicos.  E a mãe, mesmo sem utilidade para a narrativa, sempre volta para lembrar seu filho de sua origem simples e de seu caráter especial. É uma obra conservadora, mesmo se disfarçando de despojada.

O filme, ao fim, aponta para vários lados, acertando alguns. Ao fim da sessão, muitos compararam “Lula, o filho do Brasil” com “Dois filhos de Francisco”. Acho o filme de Breno Silveira muito superior, com roteiro e fotografia impecáveis. A saga de Barreto – o filme tem pouco mais de duas horas – não me emocionou. Pode ser, sim, uma obra de arte – assim como exclamou Barreto no palco – além de um filme político. Mas, se é obra de arte, é sobre a relação de um filho com sua mãe e sobre um sertanejo que conseguiu se destacar na vida. A figura histórica, verdadeiro cerne da questão, foi preterida.

*Fotos retiradas do flickr do filme

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Confira a programação completa do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

O filme não será reprisado no festival.

16
nov
09

“Prince of Broadway”, de Sean Baker, foi o grande vencedor da mostra competitiva do XI FIC Brasília

Este é mais um dos ótimos – e imperdíveis – filmes que passaram pelo XI FIC Brasília. Só o assisti no último dia e por isso ainda não havia postado comentários sobre ele aqui no blog. Este prêmio é, então, uma ótima desculpa para tecer minhas impressões sobre este excelente filme.

PrinceOfBway-lrg

Em “Prince of Broadway”, a câmera se denuncia a cada plano. Em cenas pretensamente cotidianas e realistas, ela se movimenta freneticamente. Se aproxima e se distancia dos ambientes e pessoas, agregando à matéria do filme a crise vivida pelos personagens. Assim como em “Take out”, filme de estréia de Sean Baker em co-direção com Shih-Ching Tsou, o tema transversal da obra é a imigração e a ilegalidade. No primeiro filme, são imigrantes chineses com problemas quanto a suas moradias. Em “Prince of Broadway”, é Lucky, um imigrante senegalês ilegal, e Levon, um libanês que conseguiu o seu Green Card ao se casar com uma americana. O conflito é gerado pela chegada inesperada de uma criança, um garoto de menos de dois anos que fará Lucky, forçadamente, se assumir pai.

Lucky trabalha como “traficante de produtos ilegais” nas ruas de Nova Iorque. Ele capta clientes e os leva até a loja de Levon, seu patrão. Na parte dos fundos da loja, são vendidas mercadorias falsificadas de grandes marcas. Tem de tudo: Gucci, Nike, Prada, Lacoste. A vida de Lucky é bagunçada quando uma de suas ex-namoradas deixa com ele um garoto dizendo ser seu filho. Mesmo contestando a situação, Lucky não tem o que fazer. Rapidamente sua ex-namorada foge e a criança, a qual ele não sabe nem o nome, passa a depender dele. Paralelamente, acompanhamos o drama da crise do casamento de Levon. No entanto, por este núcleo ser menos atraente que o principal, acaba ficando bem à margem durante a trajetória do filme. Escolha acertada, pois a trama principal é a que rende mais discussão.

O uso de atores não profissionais – o ator que interpreta Lucky, Prince Adu, foi encontrado por Baker durante uma visita ao bairro que serve de cenário ao filme – e a paisagem urbana legítima levam o filme ao contexto realista-social. A filmagem em digital, que propicia também uma equipe reduzida e, com isso, mais naturalidade na aproximação aos cenários reais, traz uma atmosfera documental – mas isso sem que, em momento algum, possa confundir o espectador se o caráter das imagens é ficcional ou não. O tema do filme, ao fim, acaba sendo menos a discussão sobre a imigração que as relações familiares, as relações afetuosas e de amizade. Com o tempo, o problema de Lucky com a imigração abre espaço a um drama bem maior: a adaptação da convivência com seu suposto filho e a sua transformação afetiva, temas de grande caráter universal.

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Os ganhadores do XI FIC Brasília:

Mostra competitiva:

Melhor filme: “Prince of Broadway”, de Sean Baker

Menção honrosa concedida pelo júri: “Tulpan”, de Sergei Dvortsevov

Menção honrosa pela atuação: Elsa Amiel, por “Nulle part, terre promisse”, de Emmanuel Finkiel

Prêmio TV Brasil:

Melhor filme: “Insolação”, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas

Menção honrosa concedida pelo júri: “Os famosos e os duendes da morte”, de Esmir Filho

Menção honrosa para direção: Lucía Puenzo, por “El niño pez”

Menção honrosa para melhor ator: Marcio Vito, por “No meu lugar”, de Eduardo Valente

Prêmio de excelência técnica: Mauro Pinheiro Júnior, pela fotografia nos filmes “Insolação”, “No meu lugar” e “Os famosos e os duendes da morte”

16
nov
09

Museu da República abriga mostra retrospectiva do cineasta francês Claude Lelouch

Lelouch poucas vezes é citado quando se pensa em cinema francês. Junto aos cultuados Godard, Truffaut e Resnais, esteve na Cahiers du Cinéma, fazendo crítica de cinema e rodando filmes. No entanto, é vítima de certo preconceito dos seguidores mais fervorosos deste grupo. Isso porque seus filmes foram considerados comerciais. Dono de uma enorme filmografia, ganhou por “Um homem, uma mulher”, de 1966, a Palma de Ouro, o Oscar de melhor filme estrangeiro e o de roteiro original. Este é seu filme mais cultuado e estará presente na mostra que terá lugar no Museu da República a partir do dia 19 deste mês. Este filme deu margem à produção de “Um homem, uma mulher – 20 anos depois”, seqüência lançada em 1986 que revisita os personagens da obra que lhe deu início. Com trilha sonora composta por músicas de Vinícius de Moraes e Baden Powell, “Um homem, uma mulher”, assim como grande parte de sua obra, tem como mote o sentimento humano em filmes de intenso cuidado plástico.

Um homem, uma mulher 2

"Um homem, uma mulher"

Mulheres e homens, modo de usar

"Mulheres e homens: modo de usar"

Os filmes de Lelouch têm traços inconfundíveis. É um cinema sentimentalista – algumas vezes classificado como cafona – que lida com grandes temas. Senti falta do filme “Retratos da vida”, um dos grandes de sua carreira que, apesar de ter sido lançado em DVD – diferente de grande parte dos filmes que compõem a mostra em sua homenagem – é de difícil acesso, estando esgotado na maioria das lojas do gênero. Este filme lida com cenas de canto e dança. Aliás, a música, assim como os relacionamentos amorosos, está sempre presente em suas obras, gerando impacto e com grande participação na narrativa. Lelouch é uma das afirmações do cinema de autor.

A mostra percorre a obra de Lelouch em filmes de diversas décadas, estando o mais recente, “A coragem de amar”, em 2005. O cineasta ainda está na ativa e prepara o lançamento, para 2010, de seu mais novo filme, “Ces amours là”, nova parceria com Anouk Aimée, atriz que esteve no elenco de “Um homem, uma mulher”.

Leia: Texto de André Setaro, “Em defesa de Claude Lelouch”

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Confira a programação da mostra “O cinema de Claude Lelouch”. Todos os filmes têm legenda em português e a entrada é gratuita:

19/11, quinta-feira às 19h: “A dama e o gângster” (“La bonne annee”, 1973, 90 minutos)

Sinopse: “Um gângster arquiteta e prepara, com seu cúmplice, o primeiro assalto psicológico a mão-armada da História do Crime. Bem próximo da famosa Joalheira Van Cleef & Arpels de Paris, o dono de um antiquário começa a observar o movimento, a fim de armar uma trapaça.”

20/11, sexta-feira às 19h: “Itinerário de um aventureiro” (“Itinéraire d’un enfant gâté”, 1988, 125 minutos)

Sinopse: “Ex-garoto abandonado que cresceu num circo, Sam Lion é obrigado a repensar sua vida depois de um acidente no trapézio. Torna-se um dirigente empresarial. Mas várias décadas se passam e ele, agora com mais de cinqüenta anos, está convencido de que os mais belos anos de sua vida são aqueles ainda não vividos. Ele quer ir além do que já viveu. Decide abandonar tudo, suas responsabilidades no escritório, seu segundo casamento, seus filhos Jean-Philippe e Victoria, e desaparecer a bordo de seu barco. Viaja para a África, onde busca refúgio próximo de seus conhecidos, os leões. Mas o passado irá encontrá-lo nas longínquas savanas na figura de Albert Duvivier, um de seus ex-patrões.”

21/11, sábado às 19h: “Um homem, uma mulher” (“Un homme et une femme”, 1966, 102 minutos)

Sinopse: “Jean-Louis Duroc e Anne Gauthier encontram-se acidentalmente durante visita a seus respectivos filhos num colégio interno a cada final de semana. Certa vez, Anne perde o trem e ele oferece a ela uma carona de volta a Paris.”

22/11, domingo às 18h: “Mulheres e homens: modo de usar” (“Hommes, femmes, mode d’emploi”, 1996, 118 minutos)

Sinopse: “Brilhante advogado, Benoit Blanc leva uma vida trepidante entre seus casos, que conduz com a energia dos conquistadores. Uma hiper-atividade que se repercute na saúde: ele sofre com complicações gástricas e tem que consultar um especialista, o professor Lerner. Na sala de espera do médico, Benoit reencontra o Inspetor Fabio Lini, antigo ator que entrou para a polícia depois de abandonar os palcos. Angustiado e receoso, Lini é imediatamente seduzido pelo temperamento do advogado.”

24/11, terça-feira às 19h: “Tem dias de lua cheia” (“Il y a des jours… Et des lunes”, 1990, 117 minutos)

Sinopse: “Corre o mês de março, horário de verão. Uma hora a menos. Além do mais, há a famosa lua cheia. Os comportamentos se exacerbam e as tensões e o mau humor se espalham como epidemia. Tudo pode mudar de uma hora para outra na vida desses personagens: o caminhoneiro que nunca chega ao fim de suas rotas, o médico que ama em excesso seus pacientes, uma mulher solitária e outra ingênua, o padre que crê no amor, o cantor abandonado, um lunático, um aposentado que sabe tudo e outro nostálgico, a jovem que sempre terá 19 anos, os noivos de uma noite apenas e tantos outros tipos.”

25/11, quarta-feira às 19h: “A coragem de amar” (“Le courage d’aimer”, 2005, 103 minutos)

Sinopse: “Segundo filme da série que Lelouch batiza de Le Genre Humain (o gênero humano), mostra várias histórias, nas quais pessoas comuns envolvem-se em situações extraordinárias, como o caso da esposa de um policial moribundo que decide abandoná-lo; um sem-teto que se diz Deus; ou uma dupla de cantores de rua formada por um italiano cinquentão e uma pós-adolescente.”

26/11, quinta-feira às 19h: “O bom e os maus” (“Le bon et les méchants”, 1976, 120 minutos)

Sinopse: ” A história de Jacques, um jovem mecânico que sonha em se tornar um boxeador profissional, e seu amigo de coração, o judeu Simon. Na década de 1930, os dois homens roubam um carro com um motor poderoso que pode superar qualquer outro veículo de transporte rodoviário e embarcam numa vida de crimes. Quando o temido inspetor de polícia Bruno está prestes a levar os dois homens à justiça, estoura a Segunda Guerra Mundial. Jacques e Simon acabam, por acaso, apoiando a Resistência Francesa. Bruno conscientemente decide colaborar com a polícia alemã. Seus caminhos acabam se atravessando.”

Trailer aqui

27/11, sexta-feira às 19h: “Tudo isso pra isso?” (“Tout ça… pour ça!”, 1993, 120 minutos)

Sinopse: “Como num grande mosaico humano, Lelouch apresenta personagens e enredos paralelos para falar de amor e solidão. Segundo estatística, é no período das férias de verão que acontece o maior número de pedidos de divórcio. É também o momento em que há mais tentativas de suicídio. Num hospital, três sobreviventes se conhecem e conversam. Cria-se uma grande amizade entre eles que pensam em repetir as tentativas juntos. É uma história sobre a distração que resta, no final do século, a homens e mulheres: como se encontrar e se separar sem grande tormentas. Participação no elenco da atriz brasileira radicada na França Cristiana Reali. O ator Fabrice Luchini ganhou o prêmio César de ator coadjuvante.”

28/11, sábado às 19h: “Atenção bandidos!” (“Attention Bandits”, 1987, 111 minutos)

Sinopse: “Simon Verini, um vigarista notório, decide voltar à ativa depois que Mozart, o jovem líder de um bando de ladrões de jóias, coloca um negócio em seu caminho. Embora Verini esteja fora da Holanda, é chamado a encontrar um comprador para as jóias roubadas de Mozart. Para convencê-lo, sua mulher é seqüestrada e mantida como refém. Embora Verini aceite a pressão e receba as jóias das mãos do seqüestrador, sua esposa é morta diante de seus olhos. Pouco depois, ele é preso pelo roubo das jóias e enviado para a prisão por dez anos. Antes de ir, tem tempo apenas para encontrar um lugar para sua filha, Marie-Sophie, em uma escola suíça de elite. Ao sair, dez anos depois, Verini recolhe sua filha, agora uma mulher adulta jovem, e persegue o assassino de sua esposa.”

Trailer aqui

29/11, domingo às 18h: “Sorte ou coincidência” (“Hasards ou coïncidences”, 1998, 120 minutos)

Sinopse: “Myriam, uma bailarina divorciada e com um filho, Serge, de oito anos, apaixona-se por Pierre, um comerciante de arte e falsificador. Depois de um curto período de felicidade, que Serge filma com a sua câmera de vídeo, Pierre leva mãe e filho numa longa viagem, que é interrompida de forma trágica. Mas o que poderia gerar apenas dor e sofrimento apresenta também novas possibilidades de vida para Myriam.”

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Serviço:

Curadoria: Sergio Moriconi

Auditório 2 do Museu Nacional da República

19 a 29 de novembro de 2009

Informações: (61) 3443-8891

Crédito das fotos: divulgação 13 films

15
nov
09

Três em um: Tokyo!, de Michel Gondry, Leos Carax e Joon-ho Bong

Seguindo a idéia de se fazer filmes sobre as grandes cidades do mundo, é lançado agora Tokyo!, longa metragem composto de três médias dirigidos pelos franceses Michel Gondry e Leos Carax e pelo coreano Joon-ho Bong.

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Interior Design, de Michel Gondry

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Merde, de Leos Carax

O seguimento de Gondry é o primeiro. Interior Design conta a história de dois namorados que se mudam para Tóquio e se hospedam na casa de uma amiga. Enquanto ele está empolgado pela exibição de um filme que fez e consegue um emprego, ela não consegue fazer nada, gostar de nada. Vemos na tela o drama de uma pessoa que se sente vazia e não se encaixa no mundo. O fim é surpreende mais pela solução visual que pelo roteiro em si. A resolução do conflito é fácil, mas fica maquiada pela modernidade da linguagem do videoclipe que Gondry maneja tão bem. Mesmo assim a maquiagem é bem feita e Interior Design consegue ser um bom filme.

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Shaking Tokyo, de Joon-ho Bong

Leos Carax dirige Merde. Merde é um homem meio monstro que sai pelas ruas de Tóquio aterrorizando as pessoas. O filme começa bem, mas aos poucos vai se estendendo em uma longa cena de interrogatório e julgamento que é enfadonha e de difícil compreensão. Algumas frases de impacto faladas por Merde nesse momento não fazem muito sentido. O filme perde o ritmo de ação e comédia do início e torna um filme arrastado. Com certeza o seguimento menos atrativo dos três.

No entanto, o filme termina com Shaking Tokyo, Joon-ho Bong, o melhor dos três médias. O filme é a história de um homem que se isola e não faz contato com ninguém há 10 anos. Um dos principais motivos para que ele se isole é não suportar o toque das outras pessoas. Mas o que acontece quando tocamos alguém? Joon-ho Bong faz do físico a expressão dos sentimentos humanos. A luz que nos cega momentaneamente, abalos que nos desperta medo, toques. Todo que parece exterior, na verdade, é interno.

Tokyo! é um bom filme, mas talvez a idéia de homenagear as grandes metrópoles deva mudar. Será que, ao invés de várias visões irregulares, uma boa visão de uma única pessoa não seria melhor? Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, é um bom exemplo disso.

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Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani

“Tokyo!”, de Michel Gondry, Leos Carax e Joon- hon Bong, 112 minutos

Sessões: Dia 15 de novembro às 17h

13
nov
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Um pouco de autopromoção. Mas… Porque não? “Boca a boca”, de Márcio Werneck

bocaA denúncia social é uma das vertentes mais fortes do documentário. Em “Boca a boca”, documentário brasileiro idealizado pela  ONG Turma do Bem, é realizado um discurso sobre a saúde bucal do país. A origem da idéia pode gerar certo preconceito no público de cinema mais ativo: seu idealizador é o “dentista dos famosos” Fábio Bibancos e, diga-se de passagem, um documentário sobre saúde bucal feito pr um dentista não aparentar ser muito atrativo. Então, o que traz um documentário neste formato para um festival de cinema? Eu diria que é porque o filme é muito bem construído e não tem a cara de filme institucional, tornando-se atrativo, sim, a quem gosta de cinema. Além do mais, trata de um tema que é de importância de todos e poucas vezes foi colocado em pauta. A ilustração do “país de desdentados” é feita através de depoimentos de crianças e adultos que são afetadas pelo problema. Pessoas envergonhadas, humilhadas, de baixa auto-estima, crianças que sofrem bullying por sua aparência. O filme clama por uma ação conjunta, mostrando a dificuldade em se conseguir apoiadores para o projeto e a “vista grossa” que é feita pelo governo.

É bem verdade que há interferências bastante desnecessárias, como por exemplo, os da atriz Lu Grimaldi. Ela quebra o ritmo do discurso ao aparecer – em cenas ficcionais – olhando em um vídeo-assist os depoimentos de algumas crianças e, no único momento em que fala – em cenas documentais -, recebe um corte brusco de edição. Esse cacuete de alguns documentários que se obrigam a inserir ficção num filme que anda muito bem somente como documentário afetou o ritmo de “Boca a boca”. Mas o resultado final ainda é o relato emocionado de um grave problema social. E fica na memória a expressão da garota que sorri pro espelho depois de conseguir consertar seus dentes. A mesma que, no início do filme, tapava a boca com as mãos, envergonhada.

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Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani

“Boca a boca”, de Márcio Werneck, 55 minutos

Sessões: dia 14 de novembro às 21:20h e 15 de novembro às 17:50h com a presença do diretor e da roteirista




Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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