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Produção paraguaia no XI FIC: “Quero que você leia Pantagruel”, de José Eduardo Alcázar

Pantagruel_1Fui atraída por esse filme mais por sua origem do que por ter criado expectativas de ver um ótimo filme. É importante montar um panorama do cinema que se está produzindo na América Latina. Os destaques argentinos, chilenos e uruguaios chegam facilmente aos nossos cinemas. Tempos atrás, um peruano atraiu a atenção do público de cinema. Era “A teta assustada”, de Claudia Llosa. Desta vez, um filme paraguaio – apesar do diretor ter nacionalidade brasileira – me atraiu. “Quero que você leia Pantagruel”, de José Eduardo Alcázar, é feito com um naturalismo delicioso. Um intelectual obcecado pelo livro “Pantagruel”, de Rabelais, recebe à sua porta uma mulher em busca de emprego. Ele a aceita em sua casa como empregada doméstica e busca incentivar o seu gosto pela literatura. É um filme para quem aprecia mais do que a literatura, é feito pra quem gosta de discursos sobre literatura. A câmera toma o lugar documental – se chega a escutar a voz de outra pessoa que, ao que parece, é o diretor do filme – e registra os delírios do protagonista que também ocupa a função de narrador. Delírios estes que não interessam à outra personagem do filme, justamente a quem são direcionados. O mérito do longa-metragem está na interpretação do protagonista. O resultado final? Apesar de alguns pontos positivos, a obra parece terminar sem nem mesmo ter começado.

De início, percebi um filme bem construído, apesar dos visíveis parcos recursos com o qual foi produzido. No entanto, apesar de alguns intervalos bonitos de tom poético-erótico, se mostra um filme bastante equivocado. O argumento poderia ter sido aproveitado de outra maneira, pois a produção contava com um excelente elenco. Mas parece que Alcázar não se preocupou muito com o que o público viria a achar de seu filme. Além disso, a projeção foi bastante bagunçada com legendas não entravam na hora certa e problemas com a qualidade da cópia.

Saí da projeção com inúmeras dúvidas. A primeira, por causa de uma trilha sonora que não monta com a imagem. Alguns momentos contam com trilha sonora pomposa, cobrindo ações do cotidiano, enquanto outros momentos de igual intensidade contam com o silêncio. A segunda, e a mais importante de todas, por não resolver nenhum dos conflitos do filme: um depósito misterioso no fundo da casa, onde o dono da casa impede que a empregada se aproxime – conflito que poderia dar uma boa história -, e a própria relação do patrão e da empregada. Durante o filme, o protagonista deslancha suas impressões sobre cinema. Ele fala sobre os bons filmes, aqueles que têm um propósito determinado e conseguem concluí-lo. Mas algo desanda neste filme. E eu ainda espero esbarrar com algum outro filme paraguaio.

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Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de tênis José Farani

Sessões: 9 de novembro às 20h e 15 de novembro às 19:20h

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4 Responses to “Produção paraguaia no XI FIC: “Quero que você leia Pantagruel”, de José Eduardo Alcázar”


  1. 10 de novembro de 2009 às 0:05

    concordo contigo. Agora, acho que o que atrapalha bastante mesmo é a legenda desordenada. Eu entendo um pouco de espanhol, mas não o suficiente de conseguir entender tudo que é dito durante o filme.

  2. 3 MARCO BONATTI
    10 de novembro de 2009 às 7:28

    Na verdade também, resolvi assistir esse filme, justamente por ser do Paraguai, mesmo sendo de um Diretor nascido no Brasil, e também porque andei revendo Balzac e a Costureirinha Chinesa, e imaginei que poderia ser na mesma linha. Tive uma boa impressão inicial, até pela estética documental, mas infelizmente nos momentos mais poéticos do filme, a legenda estava muito confusa. Acho também que o diretor tentou “brincar” ou “jogar” com a trilha sonora e as imagens, prova disso, é a cena final, “o Ponto de Vista”. Tive a mesma impressão que você, ele teve uma boa idéia nas mãos, mas não soube aproveitá-la ou simplesmente não quis.

    • 10 de novembro de 2009 às 11:09

      Também gostei do filme no começo. Li depois uma matéria sobre o filme onde o diretor dizia gostar de histórias inconclusivas ou inacabadas. Mas pra mim ele começou um filme que não soube terminar, mesmo com essa proposta de “filme inconcluso”. Achei confuso!


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Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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