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“A fuga da mulher gorila”, de Felipe Bragança: pura experimentação audiovisual

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Sai “Cidade de Deus”, “Carandiru” e “Tropa de Elite” e entra “Amarelo manga”, “O céu de Suely” e “Cinema, aspirinas e urubus”. O cinema brasileiro abre um intervalo para outros temas, outros problemas, atmosferas e conflitos. Apesar do lançamento recente de “Salve geral”, este é um cinema que vem se mostrando um pouco cansado. Filmes que apelam para temas humanistas e de sensibilidade plástica, como “À deriva”, ganham mais força. Com uma proposta absolutamente experimental, Felipe Bragança joga com a expectativa do público. Entre verdades e mentiras, nos é apresentado um road-movie que consegue ser non-sense numa paisagem real.

Sempre desconfie da presença de trens, ônibus ou carros num filme. Geralmente, eles simbolizam algo, uma busca de algo melhor, um ritual de passagem. Aqui, o espaço em transição pode representar o próprio filme em sua busca de sentido. Em “A fuga da mulher gorila”, duas irmãs pegam a estrada a bordo de uma Kombi e saem por pequenas cidades apresentando um número de circo. No meio da viagem, elas encontram um homem que as ajuda com o espetáculo e pega carona até o Rio de Janeiro. Ritmo poético, música popular, construído por letreiros que às vezes anunciam o que irá ocorrer e, em outras, extravasam o sentido do que iremos assistir. A música e o canto que exprimem o que os diálogos não dão conta. É um filme de resistência e apaixonado por cinema.

Alguns problemas que, não sei se decorrentes da gravação do áudio ou da projeção, tornam os diálogos um pouco complicados de serem compreendidos. O filme foi gravado em apenas oito dias, realizado por uma pequena equipe. Concluindo, não é um filme de grande público. Ao fim da sessão, pude ver as pessoas que se olhavam como perguntando: “e então?”. “A fuga da mulher gorila” é um filme único, e dos mais insanos. Acima de tudo, é a demonstração de que não existe um único cinema possível, assim como fizeram as mulheres e homens do cinema marginal. E o filme continua na busca de um sentido, talvez mesmo pela impossibilidade de encontrá-lo.

Dia 13 de novembro, às 18:40h, a sessão ocorrerá com a presença de Felipe Bragança.

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Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani

“A fuga da mulher gorila”, de Felipe Bragança, 82 minutos

Sessões: dia 10 de novembro às 21:50h e dia 13 de novembro às 18:40h

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Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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