18
nov
09

“Lula, o filho do Brasil”, de Fábio Barreto, abre o 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

O filme mais caro da história do cinema brasileiro foi exibido ontem na abertura do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Em sessão restrita a convidados e com casa cheia – ou seria abarrotada – foi feito o pré-lançamento de “Lula, o filho do Brasil”, o mais recente filme de Fábio Barreto que só chegará aos cinemas em janeiro de 2010.

Em um sertão onírico, pastel e límpido, surge Luis Inácio. A primeira cena do filme, como era de se esperar, mostra seu nascimento. A partir daí se limita a relação dos dois personagens centrais do filme: a mãe, figura forte, quase onipotente, e o filho, personagem que está sempre – e sempre se refere ao tempo inteiro – enquadrada pela câmera. O longa não abre espaço para tramas paralelas e persegue obsessivamente seu protagonista, numa obviedade quase desnecessária. Por certos momentos, até parece que Lula é filho único, pois as cenas de família são centradas na sua relação com a mãe e, os irmãos, mesmo quando presentes nas cenas, servem só como elementos de cenário. Se houve a necessidade de começar sua história com o nascimento e início da infância no sertão pernambucano, que isso fosse feito com equidade. São cenas lindas, mas soam bastante falsas. Tom que também está presente na chegada da família a São Paulo. O cais de Santos nunca pareceu tão claro. O indício da pobreza está no bege. É como se o público devesse sentir pena, mas não asco.

Outro ponto que deve ser discutido é a necessidade de se abordar grande parte dos eventos importantes da vida de Lula. Essa obrigatoriedade faz com que o filme não dê tempo às ações. Até o início de Lula no movimento sindical, o filme é bastante corrido. Este é o primeiro conflito compreensível do filme e, diferente do que havíamos acompanhado até aqui, está bem construído. A aproximação é vagarosa e os motivos da personagem finalmente abrangem o público. É aí que o filme realmente começa. A interpretação de Rui Ricardo Dias é espetacular e com ele o filme ganha humanidade. No entanto, outros eventos da vida de Lula continuam a ocorrer com rapidez, sem a dramaticidade exigida – como, por exemplo, a morte da primeira esposa e o acidente que lhe amputou o dedo -, estando ali para cumprir o protocolo de abordar os grandes feitos de sua vida. Faltou agilidade no uso de elementos básicos do cinema. Todas as críticas que normalmente são direcionadas a filmes adaptados de obras literárias caberiam neste filme. Ele é feito em tópicos.  E a mãe, mesmo sem utilidade para a narrativa, sempre volta para lembrar seu filho de sua origem simples e de seu caráter especial. É uma obra conservadora, mesmo se disfarçando de despojada.

O filme, ao fim, aponta para vários lados, acertando alguns. Ao fim da sessão, muitos compararam “Lula, o filho do Brasil” com “Dois filhos de Francisco”. Acho o filme de Breno Silveira muito superior, com roteiro e fotografia impecáveis. A saga de Barreto – o filme tem pouco mais de duas horas – não me emocionou. Pode ser, sim, uma obra de arte – assim como exclamou Barreto no palco – além de um filme político. Mas, se é obra de arte, é sobre a relação de um filho com sua mãe e sobre um sertanejo que conseguiu se destacar na vida. A figura histórica, verdadeiro cerne da questão, foi preterida.

*Fotos retiradas do flickr do filme

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Confira a programação completa do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

O filme não será reprisado no festival.

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4 Responses to ““Lula, o filho do Brasil”, de Fábio Barreto, abre o 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro”


  1. 1 Fersh
    18 de novembro de 2009 às 13:44

    Superação por superação, também prefiro a história dos filhos de Francisco.
    Melodramático demais. Mas, enfim, família Barreto…

  2. 19 de novembro de 2009 às 12:41

    Enquanto pequenos clãs continuarem a mandar no cinema nacional, vamos ver muitos filmes vazios como esse.

  3. 20 de novembro de 2009 às 2:49

    Eu não vi o filme. Só vou ver quando sair em dvd.

    Mas me diz uma coisa a Juliana Baroni estava bem como Marisa
    E Cleo Pires?

    • 20 de novembro de 2009 às 14:36

      Olha, eu nunca gostei muito da Cleo Pires… E neste filme ela está bem ruim, apesar de ter um papel bastante fácil. Sua atuação é muito caricatural! Destaque pra uma cena de “paquera” no baile. Me diz depois o que voce achou!


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Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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