Archive for the 'cinema' Category

20
mar
10

Amores impossíveis, fundamentalismo religioso e homossexualidade em “O pecado da carne”

“O pecado da carne” (“Eyes wide open”) é o longa de estreia do israelense Haim Tabakman. Exibido na mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes, passou pelo Brasil durante o Festival Mix de 2009. Polêmico e arrebatador, é um daqueles filmes que devem ser vistos e discutidos tanto pelo tema quanto pelo apuro de seu roteiro e fotografia.

Num bairro ortodoxo de Jerusalém, o açougueiro e pai de família Aarão recebe a visita do jovem Ezri, um forasteiro que lhe pede para usar o telefone. Não sei se fui influenciada por já saber a sinopse do filme, mas para mim o jogo de sedução desses dois homens começa nessa primeira aparição de Ezri. Personagens andarilhos são sempre fascinantes. O encanto produzido pelo desconhecido, o personagem que nos chega sem passado, sem casa e sem família, é figura recorrente em filmes. São geralmente pessoas livres nas quais a gente pode se inspirar. Se Ezri seduz, é desse “mal” que Aarão precisa para conseguir viver, assim como diz durante um dos diálogos do filme.

Apesar de, ao fim do longa, a história parecer clara, o filme caminha a partir de rumores. Existem poucas certezas exceto a impossibilidade de concretização do relacionamento dos dois. A reação da comunidade, da família ou dos próprios personagens que se envolvem amorosamente são difíceis de serem previstas. Ao espectador, fica complicado confirmar o que sabe ou o que não sabe certo personagem. O que está claro é a ameaça, a espionagem, a violência que está para surgir e o pecado de um sentimento proibido e abominado.

Serem judeus ortodoxos é o de menos – apesar de ser, absolutamente, o elemento que causa mais estranhamento. Resta saber se a história poderia ser reescrita se os dois fossem, por exemplo, cristãos fervorosos, ou, então, cristãos nem tão fervorosos. Ou nem mesmo cristãos. “O pecado da carne” é feito no ambiente exótico do judaísmo, regido por regras que não são muito compreensíveis. Talvez funcione para distanciar essa história do nosso cotidiano, catalisando essa tragédia. Mas e aí, será que estamos mesmo tão distantes dessa reprovação sem limites, dessa identificação pejorativa da homossexualidade com o mal? Uma pesquisa rápida no google sobre “PCL 122” responderia a minha pergunta.

“Pecado da carne” está para ser lançado nos cinemas. Apesar de não ter encontrado a confirmação, a data provável é 2 de abril.

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“O pecado da carne” (“Eyes wide open” / “Einaym pukuhot”), de Haim Tabakman, 91 min.

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17
mar
10

Tudo Pode dar Certo (Whatever Works), a nova comédia de Woody Allen

Texto escrito por Otavio Chamorro, autor dessa comédia-pastelão aqui.

Uma vez, viram meu filme e me compararam a Woody Allen. Não vi muito sentido na comparação porque pensei inicialmente nos últimos três filmes que tinha visto do mestre: “Melinda e Melinda”, “Match Point” e “Cassandra’s Dream”. Os três com um ar mais dramático, com uma ironia da natureza humana essencialmente cruel ou trágica demais.

Em “Vicky Cristina Barcelona”, passei a olhar com mais atenção a comparação. O filme que mantém a inimitável ironia de Allen ainda vinha com a roda de coincidências que podem envolver as relações amorosas humanas, seja pela paixão, pela carência, pelo vazio ou pela loucura.

Hoje aceitei com orgulho a comparação: “Tudo Poder dar Certo” é de longe o melhor dos últimos filmes dele. Entendo quem prefira a violência e a frieza de “Match Point” ou a sensualidade de “Vicky Cristina Barcelona”, mas me reconheço nesse novo longa de Allen que está para ser lançado no Brasil.

O filme é um encanto: personagens superficiais com diálogos profundos, seja pela simplicidade inteligente ou pela arrogância estúpida. A verdade é que ninguém melhor que Woody Allen para, num argumento singelo, conseguir ironizar de seus personagens a partir de suas próprias falas e atitudes sarcásticas. As piadas são as que eu queria fazer, para mim mesmo ou para meus amigos. Ninguém escapa: gênios, idiotas, negros, judeus, gays, caipiras, transtornados ou até as católicas fervorosas de Mississipi. O filme deixa claro no início que não é seu objetivo fazer o público se sentir bem, mas até nessa mensagem direta Allen é irônico: o filme é um estímulo para o amadurecimento – você quer se sentir maduro e encontrar a felicidade como os personagens, do jeito que der. Afinal de contas, o título correto seria “o que der certo” e não “tudo pode dar certo”.

Pra acabar de me conquistar, o filme tem duas outras qualidades: o nome do protagonista, Boris, que me fez lembrar o outro melhor filme dele, “A última noite de Boris Grushenko” (Love and Death, 1974). E também a utilização do clichê (e o que torna mais interessante é a crítica aos clichês que o filme, nos seus diálogos deliciosos, faz) do personagem que fala com o público. E não estou sendo spoiler aqui – até no trailer isso fica óbvio. Filmes que falam com o público. Me lembrei de “Lisbela e o Prisioneiro” e de “Spice World”. E lembrar desses dois filmes após uma aula de cinema que é Tudo pode dar certo, só me faz pensar em uma coisa: Incrível!

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“Tudo pode dar certo” (Whatever works), de Wood Allen, 92 min

Lançamento nos cinemas em 30 de abril

26
jan
10

Jacques Demy, filmes bonitos e idéias sobre “Onde vivem os monstros”

“Pele de asno” (“Peau d’âne”), de Jacques Demy (1970)

Um daqueles bem especiais. Influenciada pela Agnès Varda, fui assistir aos filmes do Jacques Demy – seu marido – e por conta dele me aproximei dos musicais. “Pele de asno” não foi fácil de encontrar e assisti-lo depois de tanta procura foi só delicioso. Catherine Deneuve é sua atriz-fetiche e aqui, neste filme realizado três anos depois de “Duas garotas românticas” e após a premiação de “Os guarda-chuvas do amor” em Cannes, está ela novamente. Ambientado em um reino distante,  uma rainha no leito da morte obriga o rei a fazer uma promessa: ele só se casaria outra vez se a pretendente fosse mais bonita que ela. Com a morte da mulher, o rei sai em busca da tal pretendente. No entanto, a única mulher mais bela que sua falecida esposa é sua filha, a princesa interpretada por Catherine Deneuve. Longe da culpa moral e sem entrar na discussão sobre o suposto incesto, a princesa pede conselhos à sua fada-madrinha que lhe proíbe de aceitar o pedido de casamento, ao qual a princesa tendia a ceder. Num ambiente ora infantil, ora surrealista, se desenvolve essa trama cheia de boas e más intenções. A estratégia para adiar a cerimônia é fazer pedidos de casamento difíceis de serem atendidos e, quando nenhum pedido pode mais ser feito, se refugiar em uma floresta vestindo uma pele de asno. E ali, trabalhar como criada e esperar que um príncipe note sua beleza enquanto todos  os outros a desprezam.

E porque não assistir – ou voltar a assistir – a esses três filmes de Jacques Demy? Me aproprio deles e os chamo de trilogia. “Pele de asno” é o menos musical, no sentido estrito, dos três. “Os guarda-chuvas do amor” é o primeiro filme totalmente cantado e, dizem por aí, roubou a Palma de Ouro de “Deus e o Diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha. “Duas garotas românticas” já valeria pelo dueto de Françoise Dorleac e Catherine Deneuve, irmãs na trama e na vida real. Doleac, em seu último filme, morre tragicamente na época do lançamento de “Duas garotas românticas”. Os três tem produção musical de Michel Legrand, compositor e pianista que é um dos grandes nomes do jazz.

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“A cidade das crianças” (“Les enfants de Timpelbach”), de Nicolas Bary (2008)

Bastante atrativo para crianças, mas fico em dúvida se é esse seu público-alvo. Certamente, de tão bonito está fácil de agradar adultos. Em tom fabulesco, garotos de mau comportamento são castigados pelos pais e professores. Os adultos decidem pregar uma peça nos pequenos ao abandonar a pequena cidade de Timpelbach por um dia, deixando-os desamparados. No entanto, os adultos são tomados como reféns pela cidade vizinha, o que os impede de voltar. Na ausência dos adultos, os pequenos se dividem em bandos, um deles formado por crianças boas e outro pelo grupo de crianças marginais. É aí que o filme se torna interessante. Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa. Da inocência infantil, pontuada por pequenas travessuras, o filme adquire um tom um pouco assustador. Já que os adultos estão ausentes, alguém deve ocupar o lugar deles. E as crianças apreendem fácil a truculência e a burocracia. Temperado por belíssimo figurino e fotografia – onde a verossimilhança está bem em segundo plano – é esta uma daquelas histórias fantásticas e de grande sensibilidade plástica.

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“Onde vivem os monstros” (Where the wild things are”), de Spike Jonze (2009)

Spike Jonze, tal qual Michel Gondry, saiu do vídeo clipe. A comparação destes dois vem, na minha cabeça, por terem uma forte marca autoral que é, de maneira abrangente, bem similar. Esta marca é a loucura ou estranheza, que em Gondry está presente mais nos artifícios de montagem e efeitos de câmera e que, em Jonze, se mostra mais forte na narrativa. Em “Onde vivem os monstros”, filme que andam chamando de infanto-juvenil, um garotinho mimado se reclusa em seu mundo imaginário, habitado por criaturas peludas que o consagram rei. O filme tem efeitos maravilhosos onde se percebe o cuidado com cada detalhe – não sei quanto tempo demorou a ficar pronto, mas é o primeiro longa de Jonze desde 2002. Plasticamente, o filme é impecável – os monstros me lembraram os da saga “A história sem fim”, alguém compartilha comigo essa impressão? Mas o que me impressionou mesmo foi a verossimilhança com situações típicas de criança. Me vi bastante neste filme. Na inocência das situações, nos bonequinhos de miolo de papel higiênico, na cabaninha feita na cama da mãe. O ponto de vista da criança está por completo e me arrisco a dizer que este é um filme audacioso sobre a infância, para adultos.

Veja também:

Versões para os personagens do livro que deu origem ao filme

Make a monster (esse link é bobo, ok?)

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“Pele de asno” (“Peau d’âne”), de Jacques Demy, 90 minutos

DVD pela Dreamland.

“Cidade das crianças” (“Les enfants de Timpelbach”), de Nicolas Bary, 95 minutos

DVD pela Califórnia Filmes.

“Onde vivem os monstros” (“Where the wild things are”), de Spike Jonze, 101 minutos

Em cartaz nos cinemas.

17
jan
10

“Não, minha filha, você não irá dançar”, novo filme de Christophe Honoré, estreou essa semana nos cinemas

Distante da badalação dos concorrentes ao Globo de Ouro, está o lançamento do novo de Christophe Honoré. O filme chega aos cinemas brasileiros com alguns meses de atraso, tendo passado pela mostra de São Paulo em outubro. Honoré é o diretor de “A bela Julie” (2007) e “Canções de amor” (2008) e deus queira que ele continue lançando um filme por ano.

"Não, minha filha, você não irá dançar" ("Non ma fille, tu n'iras pas danser", 2009)

Em “Não, minha filha, você não irá dançar”, Honoré traz alguns elementos que ja estavam presentes ao menos em dois de seus filmes anteriores: a obsessão com certos atores – grande ponto de reconhecimento de suas obras -, a crise no ambiente familiar e a iminência da morte. A protagonista, Lena, é agora interpretada por Chiara Mastroianni – filha de Marcelo Mastroianni e Catherine Deneuve. Chiara aparece no filme de 2007 num pequeno e charmoso papel e, no de 2008, ganhando maior visibilidade como a irmã da protagonista. Louis Garrel, como não poderia deixar de ser, também está de volta. Por outro lado, Honoré deixa de lado o romantismo das músicas cantadas pelos personagens para abordar a intensidade de um drama feminino.

A ação que antes se desenvolvia pela tensão sexual, anda em “Não, minha filha…” a partir do drama da protagonista, uma mulher recém-divorciada em fuga. A primeira cena do filme adianta ao espectador o caos vivido por Lena. Numa estação de trem movimentada, ela procura o filho que se perdeu. Mantendo nos braços a outra filha pequena e carregando uma mala, ela grita pela criança e a encontra perto de um pombo ferido. Convencida pelos pequenos, ela esconde o pombo na bolsa e o leva para casa. No entanto, o pombo morre e Lena é acusada pelo filho, uma criança de cerca de dez anos – que, por mais contraditório que possa ser, é o ponto de equilíbrio da mãe – de não conseguir nem “manter um pombo vivo”. Lena é uma mulher confusa que busca apoio de seus pais controladores, cheia de vontades e desvontades, numa quase paródia da situação feminina. Uma grande personagem com uma grande interpretação de Chiara. Outro elemento bastante interessante desse filme é o espaço para o desenvolvimento de outros personagens. Há uma sequência primorosa onde se mostra a história que o filho de Lena lhe conta através de imagens de sua imaginação. Pausa admirável, assim como a trilha sonora a cargo de Anthony and the Johnsons.

Pra mim é muito dificil desvencilhar as três obras de Honoré. Acredito que, para quem ainda não conhece o trabalho do diretor, será um grande prazer ver os três filmes na sequência.

"A bela Julie" ("La belle personne", 2008)

"Canções de amor" ("Les chansons d'amour", 2007)

“Não, minha filha, você não irá dançar”, de Christophe Honoré,105 minutos.

Assista ao trailer do filme.

Lançamento em 15 de janeiro de 2010.

15
jan
10

Alguns dos filmes que concorrem ao Globo de Ouro de 2009 serão lançados nos próximos dois meses

A premiação do Globo de Ouro acontece no próximo dia 17 e, com o atraso que já é característico, alguns dos principais concorrentes estréiam no Brasil logo na sequência. Boa estratégia, não?

Veja aqui a lista completa dos concorrentes ao 67º Globo de Ouro. Na sequência, alguns dos filmes que serão lançados em breve.

“Amor sem escalas” (“Up in the air”), de Jason Reitman.

Estréia em 22 de janeiro. Concorrente aos prêmios de melhor filme dramático, diretor, roteiro, ator e duas vezes a atriz coadjuvante.

Este filme lidera com seis indicações. Do diretor de “Juno” e “Obrigado por fumar”, é uma grande produção num disfarce despretensioso. O elemento inusitado da vez é George Clooney, executivo que trabalha numa empresa que é contratada para demitir funcionários. Com essa função, ele viaja todo o país e incorpora metodicamente os aeroportos em sua rotina. Quase impassível à angústia daqueles que demite, sua vida será bagunçada com a entrada de uma garota que propõe uma nova maneira de se realizar o trabalho na empresa. E assim como nos outros dois filmes de Reitman, o desenlace se distancia do convencional. Filme bom e divertido que, na categoria de melhor do ano, será encoberto pelos mais impactantes “Bastardos Inglórios”, “Preciosa” e “Avatar”.

“Preciosa” (“Precious”), de Lee Daniels.

Estréia em 29 de janeiro. Concorrente aos prêmios de melhor filme dramático, atriz e atriz coadjuvante.

Nada de preconceito só porque este lançamento traz a Mariah Carey em um dos papéis e é produzido pela Oprah. O filme tem um apelo enorme que pode distanciar parte do público, é bem verdade, mas esse filme não é nada “Glitter”. Ainda não pude assisti-lo, mas pelo trailer me pareceu um filme bastante atrativo e, com certeza, vou querer ver logo na estréia. Ele é ambientado no subúrbio de Nova York, anos 80, onde vive uma adolescente pobre, negra e gorda que sofre abusos de seu pai e violência física de sua mãe. A garota está grávida e é mãe de uma criança apelidada de mongo por ser portadora de síndrome de Down. Na nova escola, para onde é obrigada a ir depois de ser suspensa da que estuda, Preciosa encontra ajuda e uma maneira de se refugiar de seus problemas. Bullying, preconceito, pobreza, e por aí percorrem as discussões que serão estimuladas pela fita.  Estou ansiosa pra saber qual o efeito deste filme.

“Nine”, de Rob Marshall.

Estréia em 29 de janeiro. Concorrente aos prêmios de melhor musical ou comédia, atriz, atriz coadjuvante e canção original.

O novo musical do diretor de “Chicago” não foi bem aceito pelos críticos. Depois de “Avatar”, é um dos filmes mais apelativos do ano. Traz no elenco uma sequência de ganhadores de Oscar capaz de convencer quase qualquer pobre alma a assisti-lo. No entanto, é um filme regular pontuado por ótimas cenas. A música concorrente a melhor canção original – “Cinema italiano”, com Kate Hudson – é muito boa, assim como outras duas das nove canções do filme, a protagonizada por Fergie e a outra por Penelope Cruz. O título faz referência direta ao “81/2” de Felinni. Referência que está também na trama do musical, onde um diretor de cinema sofre uma crise de criatividade. Entre Fergie e Mariah, fico com a segunda.

“Guerra ao terror” (“The hurt locker”), de Kathryn Bigelow.

Estréia em 5 de fevereiro. Concorrente aos prêmios de melhor filme dramático, diretor e roteiro.

Disponível em DVD desde abril do ano passado, a estréia deste filme nos cinemas veio corrigir uma grande mancada do distribuidor. As obras que abordam este mesmo tema já ganharam um gênero próprio. E “Guerra ao terror” supreendeu muitos críticos e é considerado um dos melhores Iraq movie. Como não podia deixar de ser, é também um filme de ação que tem como protagonistas soldados que trabalham na ingrata tarefa de desativar bombas durante a guerra. No entanto, o filme não está a procura do soldado heróico e patriota. São homens que estão ali porque aquela é sua função – um dos níveis de uma guerra que é realizada sem muitos motivos. Filme imperdível.

“Entre irmãos” (“Brothers”), de Jim Cheridan.

Estréia em 12 de fevereiro. Concorrente aos prêmios de melhor ator e melhor canção original.

Ótimo drama que traz novamente o tema da guerra, sendo desta vez o Afeganistão. É, assim como em “Guerra ao terror”, uma visão crítica dos abusos e motivos que envolvem esse embate com um elemento a mais, que é o drama insolucionável do protagonista. Dado como morto, ele volta para casa depois de ser tomado como refém pela tropa inimiga. Abalado e angustiado, ele reaparece e descobre que seu irmão – homem irresponsável e de comportamento adolescente – , esteve presente na vida de sua família durante a sua ausência. Resta agora tentar sobreviver a mais essa situação utilizando a mesma estratégia da guerra, a desconfiança. É mais um filme imperdível.

“Simplesmente complicado” (“It’s complicated”), de Nancy Meyers

Estréia em 26 de fevereiro. Concorrente aos prêmios de melhor musical ou comédia, roteiro e atriz.

Uma das grandes comédias românticas do ano. O diferencial – ao menos da grande massa de comédias românticas – está em tomar como personagens homens e mulheres de meia-idade. Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin formam o triângulo amoroso nesta história na qual a esposa, depois de passar pelo divórcio, acaba se tornando a amante do ex-marido. É da mesma diretora de “Alguém tem que ceder” e “O amor não tira férias”. Não tenho muitos palpites sobre esse filme e tampouco é um tipo de cinema que me atrai. Talvez seja mais um que ficará ofuscado pela presença de outros filmes que são bem mais fortes.

03
jan
10

Madame Tutli Putli

Enquanto não preparo um post decente pra começar o ano, deixo aqui um presentinho. Se chama “Madame Tutli Putli”, curta-metragem ganhador do prêmio de melhor animação no Anima Mundi de 2008.

have fun.

http://vimeo.com/8514562

“Madame Tutli Putli”, de Chris Lavis e Maciek Szczerbowsku, 17 minutos, Canadá.

http://www.imdb.com/title/tt1029440/

15
out
09

Tributo a La Negrita

Junto a Piazzolla, Borges e Gardel, Mercedes Sosa forma o hall das importantes figuras argentinas. Ela é, sem dúvida, uma das mais expressivas cantoras latino-americanas. “É”, no tempo presente, porque ela se recusou a morrer. Seu último álbum, “Cantora”, foi lançado este ano e vem acompanhado do registro visual das gravações em estúdio. Este documentário de 60 minutos, chamado “Mercedes Sosa – Cantora, un viaje íntimo”, mostra o making of da gravação deste álbum de duetos, depoimentos de Mercedes, nos quais ela retoma parte de sua trajetória, além dos testemunhos dos convidados. Se, por um lado, é visível o respeito que os convidados têm por Mercedes, é também impressionante a admiração que La Negra  dispensa aos cantores com quem divide o microfone. Tanto é que grande parte das músicas escolhidas para o álbum são dos convidados. São eles, entre outros, Caetano Veloso – com quem canta “Coração vagabundo” em português -, Julieta Venegas – artista pop mexicana que por aqui não chegou a fazer o sucesso que alcançou na América Latina -, Charly Garcia – é também um dos mitos argentinos, polêmico cantor, compositor e multi-instrumentista de rock -, Luis Alberto Spinetta – rockeiro argentino de grande sucesso na década de 70, por quem Mercedes dispensa grande empatia -, María Granas – que, segundo Mercedes, tem uma das mais lindas vozes -, e a brasileira Daniela Mercury.  A emoção com que La Negra canta e a crença na mensagem que passa – fique atento ao fim da música que canta com Spinetta – demonstram a devoção com a qual ela – e sua memória – deve ser tratada.

Mercedes representa muito ao patrimônio cultural americano, tanto musical quanto ideologicamente. É a maior voz do folclore latino americano e lidera um público heterogêneo. A música folclórica argentina é bastante difundida no país, inclusive entre os mais jovens. É também uma figura da resistência. Em 1979, em pleno regime ditatorial, ela e o público que assistia a seu show foram presos. Perseguida pelos militares por ser peronista, foi obrigada a se refugiar em Paris, voltando a Argentina somente em 1982.”Estava desesperada para voltar”, diz Mercedes durante o documentário.

“Cantora”, álbum duplo e documentário, foram lançados dois meses antes de sua morte. Com ares de tributo, Mercedes se despede cantando, na última cena do documentário, alguns versos de uma música de Charly Garcia. Bom, o que ela canta – capaz de impressionar até os não facilmente impressionáveis – fica pra quem tiver a oportunidade de ver o filme.

Veja aqui um trecho do documentário. A música é “Barro tal vez”, um dos hinos de Spinetta.




Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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