Posts Tagged ‘cinema japonês

10
nov
09

O sexo do Japão ao Brasil: “I Am a S+M Writer”, de Ryuichi Hiroki, e “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, de Domingos Oliveira

vannaya-v-kino-655-01-_ya-sadomazo-pisatel_Dois filmes exibidos no FIC Brasília têm em comum tratar o sexo de uma forma engraçada. I Am a S+M Writer (Futei no kisetsu), de Ryuichi Hiroki, e Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, de Domingos Oliveira.

O filme de Hiroki conta a história de um escritor de livros eróticos que, com a ajuda de um assistente, encena em sua casa atos sexuais de sadomasoquismo. Sua esposa começa a achar os meios que o marido usa para conseguir sua inspiração pura tara, mas um dia toma coragem e se envolve em uma relação sadomasoquista.

I Am… é um filme com cenas de forte erotismo, mesmo assim é impossível não rir delas. O motivo principal é o escritor Kurosaki (Ren Ôsugi). Quando ele presencia ou ouve algumas das situações sexuais do filme (inclusive as que envolvem sua esposa), ele reage com empolgação, pois está conseguindo material para a história de seu livro. A satisfação do escritor não é pessoal, é profissional; beira a inocência.

Presente na sessão, Ryuichi Hiroki contou que o filme foi feito em apenas 10 dias e é baseado na história de um escritor. Segundo ele, é uma das histórias eróticas mais conhecidas no Japão.

todo-mundo-tem-problemas-sexuais03Já o filme de Oliveira mostra, em cinco partes, histórias sexuais de várias pessoas. Pessoas comuns mesmo. O filme é baseado na peça teatral homônima de Oliveira, que foi escrita conjuntamente com o psicanalista Alberto Goldin, que por sua vez escreve sobre sexo na coluna “Vida Íntima” do jornal O Globo e recebe cartas de vários leitores.

Baseados nessas cartas, têm-se cinco histórias bastante interessantes sobre os dilemas sexuais de todos: a insegurança que leva à impotência sexual momentânea; a culpa em assumir para si mesmo o gosto por práticas sexuais vistas como imorais pela sociedade; pessoas solitárias que marcam encontros via Internet; duas pessoas desavergonhadas que se gostam, mas entram num jogo de conquista que todos sabem onde vai dar; a falsa modernidade no sexo que esbarra no preconceito.

Tirando a história do casal que se encontra depois de um bate-papo na Internet, todas as outras histórias são comédias. Mas, independente de ser comédia ou drama, as cinco histórias são contadas deliciosamente sem pudores.

O único problema do filme é sua mistura de linguagens. O filme mescla cenas convencionais de cinema (os atores encenam com naturalidade, como se a câmera captasse o momento) com cenas em que os atores encenam no teatro para a platéia. Isso sem contar quando os atores encenam no teatro sem a platéia, olhando diretamente para a câmera. Durante as falas das personagens, cortes são feitos e passam de uma situação para a outra. Isso quebra o ritmo do filme e algumas ações chegam a perder sua graça.

De qualquer forma, Todo Mundo Tem Problemas Sexuais pode render boas risadas e despertar a mente de vários espectadores.

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Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani

“I Am a S+M Writer”, de Ryuichi Hiroki, 88 minutos

Sessões: dia 11 de novembro às 17:10h

“Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, de Domingos Oliveira, 80 minutos

Sessões: dia 11 de novembro às 19:30h, dia 14 de novembro às 20h

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06
nov
09

Infância e adolescência em “Your friends”, de Ryuichi Hiroki

YourFriends

O diretor japonês Ryuichi Hiroki é o homenageado deste ano no XI Festival Internacional de Cinema de Brasília. Abrindo a mostra em sua homenagem, foi exibido o filme “Your Friends” (“Kimi no tomodachi”) no dia 05 de novembro de 2009.

Adaptação do romance de Kiyoshi Shigematsu, “Your Friends” conta a história de duas amigas: Emi e Yuka. Já adulta, Yuka conhece um jovem fotografo que se interessa por ela. Através das fotos de Yuka – ela tira fotos do céu, das “nuvens de algodão” -, o jovem começa a mexer com suas lembranças da infância e adolescência.

Emi e Yuka tornaram-se amigas por uma dificuldade física em comum: a primeira tem uma doença nos rins que a impede de correr e brincar. A segunda ficou manca após um acidente de carro. O mais impressionante na amizade das duas é que começa por um sentimento de culpa: Yuka culpa Emi pelo acidente que a deixou com o problema motor. Tema pesado, mas que, por ser tratado por uma ótica infantil, ganha uma leveza e uma delicadeza que deixam os espectadores com os olhos marejados já nos primeiros minutos do filme. A solução para o problema é simples e rápida, assim como tudo na infância parece simples e fácil de ser resolvido.

Mas não é só a história de Emi e Yuka que são retratadas no filme. Outras personagens entram na história e formam um mosaico de assuntos relacionados à amizade. Rejeição, o amor que separa dois amigos, problemas de auto-afirmação que impedem que se faça uma amizade, a perda de um amigo. O diretor cria um olhar profundo e leve sobre o tema.

Além do tema, a direção de Hiroki também merece destaque. A fotografia do filme é linda, como a de grande parte dos filmes orientais que venho acompanhando. As personagens em seus momentos mais íntimos são sempre filmadas de longe, como se uma aproximação da câmera pudesse atrapalhar as revelações mais íntimas entre elas. Outro destaque é a trilha sonora, que é cheia de músicas pop. O diretor opta por colocar músicas de cantores japoneses como Yo Hitoto, Nao Matsuzaki, Miyauchi Yun e da banda já conhecida no cenário indie brasileiro Au Revoir Simone. Essa escolhe é coerente, já que o filme retrata boa parte da adolescência das personagens e nada mais adolescente do que o universo pop.

Para quem ficou interessado, o próprio diretor – que estava presente na exibição do filme – recomenda o filme “April Bride” (Yomei Ikkagetsu no Hanayome), sucesso de público que levou mais de 3 milhões de pessoas ao cinema no Japão. Porém, a própria organizadora do evento, Donatella Natili, disse que pode ocorrer uma mudança na data de exibição do filme, pois a cópia está vindo do exterior para Brasília e tudo indica que ocorrerá um atraso.

Bom início de festival para todos!

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Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de tênis José Farani.

Lembrem-se de confirmar o horário pelo problema relatado por Donatella:

“Your friends”, de Ryuichi Hiroki, 125 minutos

Sessões: 8 de novembro, 17h e 9 de novembro, 19h

“April Bride”, de Ryuichi Hiroki, 129 minutos

Sessões: 9 de novembro, 19:20h, 11 de novembro, 19h, 13 de novembro, 19h, 15 de novembro, 19:30h

 

O diretor japonês Ryuichi Hiroki é o homenageado deste ano no XI Festival Internacional de Cinema de Brasília. Abrindo a mostra em sua homenagem, foi exibido o filme Your Friends (Kimi no tomodachi) no dia 05 de novembro de 2009.

Adaptação do romance de Kiyoshi Shigematsu, Your Friends conta a história de duas amigas: Emi e Yuka. Já adulta, Yuka conhece um jovem fotografo que se interessa por ela. Através das fotos de Yuka (ela tirava fotos do céu, das “nuvens de algodão”), o jovem começa a mexer com suas lembranças da infância e adolescência.

Emi e Yuka tornaram-se amigas por uma dificuldade física em comum: a primeira tem uma doença nos rins que a impede de correr e brincar. A segunda ficou manca após um acidente de carro. O mais impressionante na amizade das duas é que começa por um sentimento de culpa: Yuka culpa Emi pelo acidente que a deixou com o problema motor. Tema pesado, mas que, por ser tratado por uma ótica infantil, ganha uma leveza e uma delicadeza que deixam os espectadores com os olhos marejados já nos primeiros minutos do filme. A solução para o problema é simples e rápida, assim como tudo na infância parece simples e fácil de ser resolvido.

Mas não é só a história de Emi e Yuka que são retratadas no filme. Outras personagens entram na história e formam um mosaico de assuntos relacionados à amizade. Rejeição, o amor que separa dois amigos, problemas de auto-afirmação que impedem que se faça uma amizade, a perda de um amigo. O diretor cria um olhar profundo e leve sobre o tema.

Além do tema, a direção de Hiroki também merece destaque. A fotografia do filme é linda, como a de grande parte dos filmes orientais. As personagens em seus momentos mais íntimos são sempre filmadas de longe, como se uma aproximação da câmera pudesse atrapalhar as revelações mais íntimas entre elas. Outro destaque é a trilha sonora, que é cheia de músicas pop. O diretor opta por colocar músicas de cantores japoneses como Yo Hitoto, Nao Matsuzaki, Miyauchi Yun e da banda já conhecida no cenário indie brasileiro Au Revoir Simone. Essa escolhe é coerente, já que o filme retrata boa parte da adolescência das personagens e nada mais adolescente do que o universo pop.

Para quem ficou interessado, o próprio diretor (que estava presente na exibição do filme) recomenda o filme April Bride (Yomei Ikkagetsu no Hanayome), sucesso de público que levou mais de 3 milhões de pessoas ao cinema no Japão. Porém, a própria organizadora do evento, Donatela XXX, disse que pode ocorrer uma mudança na data de exibição do filme, pois a cópia está vindo do exterior para Brasília e tudo indica que ocorrerá um atraso.

Bom início de festival para todos!

01
nov
09

Nem só de Ozu, Mizoguchi e Kurosawa vive o cinema japonês

E para demonstrar isso, o XI FIC Brasília organizou uma mostra com cinco filmes de Ryuichi Hiroki. Ele é considerado um dos mais criativos cineastas japoneses. No entanto, suas obras são pouco veiculadas no Brasil. Uma marca de seu cinema são os planos longos e o uso do suporte digital, um dos pioneiros dessa estratégia em seu país. Hiroki começou sua carreira trabalhando como assistente de direção no cinema pink,  a pornochanchada japonesa. Tal qual este cinema brasileiro, o cinema pink foi gênero dominante entre as décadas de 60 a 80, produzindo filmes eróticos de baixo orçamento. Os filmes de Hiroki são provocativos, talvez herança de seu início no cinema. Seus personagens são urbanos, a câmera capta seus intensos conflitos psicológicos e há certa insistência em temas sexuais. Três de seus filmes estiveram por Brasília na mostra “Japão pop”, organizada pelo CCBB no primeiro semestre de 2006. Dois deles, “It’s only talk” e “Vibrator”, voltam agora para o panorama organizado pelo FIC.

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"I am a S+M writer", filme de Hiroki que integra a mostra organizada para o XI FIC Brasília

Não deixem de ver “Vibrator”, espécie de road-movie que trata de problemas femininos, filme de 2003 que foi escolhido pela crítica como um dos melhores filmes do ano e o primeiro a destacar o nome de Hiroki. O Festival receberá o diretor para debates sobre seus filmes no dia 5 de novembro, após exibição de “Your friends”, no dia 6 após “Vibrator”, no dia 7 após “I Am S+M Writer” e, no dia 8, após “Your friends”.

Confirme o horário das sessões pelo site do FIC Brasília. Todas as sessões desta mostra acontecerão no cinema da Academia de Tênis.

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“April Bride”, 2009, 127 minutos

Uma jovem mulher é diagnosticada de câncer de mama e esconde esta informação de seu namorado. Quando ele descobre, decide planejar um casamento mesmo sabendo que ela só tem um mês de vida.

Sessões: 09 de novembro, 19:20h; 11 de novembro, 19h; 13 de novembro, 19h; 15 de novembro, 19:30h

“I Am S+M Writer”, 2000, 88 minutos

Kurosaki é um escritor fracassado que começa a escrever pornografia sadomasoquista barata como um extra. Buscando inspiração, ele contrata jovens modelos para montar vários cenários sexuais. Sentindo-se rejeitada, sua esposa, responde flertando com outros homens.

Sessões: 7 de novembro, 21:20h; 8 de novembro, 17:10h; 9 de novembro, 19h; 11 de novembro, 17:10h

“It’s only talk”, 2005, 127 minutos

Yuko, uma mulher solteira e desempregada que passa por um período de depressão, divide seu tempo entre alguns amigos homens, cada um com seu estilo próprio. Para conviver com cada um deles, ela adapta sua própria personalidade, atuando de diferentes formas dependendo de quem está por perto, o que acaba escondendo de todos como ela realmente é.

Sessões: 7 de novembro, 15h; 9 de novembro, 21:10h; 11 de novembro, 17h; 15 de novembro, 15h

“Vibrator”, 2003, 95 minutos

Rei Hayakawa, uma escritora independente, tem o dom de ouvir vozes dentro de sua cabeça. Mas as vozes lhe causam dor: elas a preocupam, dificultam seu sono, a levam a beber e causam desordens alimentares. Uma noite, em uma loja de conveniência, com as vozes mais altas que nunca em sua cabeça, ela conhece um motorista de caminhão. Ela decide embarcar com ele em uma viagem e, enquanto seu corpo se rende às vibrações do caminhão, vai aos poucos se libertando das vozes em sua cabeça.

Sessões: 6 de novembro, 19h; 11 de novembro, 21:50h; 12 de novembro, 17h; 13 de novembro, 19h

“Your friends”, 2008,125 minutos

Baseado no romance de Kiyoshi Shigematsu, “Your Friend” narra a estória de uma longa amizade entre duas garotas: Emi (Anna Ishibashi), que tem uma doença degenerativa renal e Yuka (Ayu Kitaura), que ficou manca após um acidente de carro causado parcialmente por Emi. Embora inicialmente Yuka carregue ressentimento, as duas vão se aproximando aos poucos devido a seu mútuo entendimento do que é possuir necessidades especiais.

Sessões: 5 de novembro, 19h; 8 de novembro, 17h; 9 de novembro, 19h




Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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