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16
nov
09

“Prince of Broadway”, de Sean Baker, foi o grande vencedor da mostra competitiva do XI FIC Brasília

Este é mais um dos ótimos – e imperdíveis – filmes que passaram pelo XI FIC Brasília. Só o assisti no último dia e por isso ainda não havia postado comentários sobre ele aqui no blog. Este prêmio é, então, uma ótima desculpa para tecer minhas impressões sobre este excelente filme.

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Em “Prince of Broadway”, a câmera se denuncia a cada plano. Em cenas pretensamente cotidianas e realistas, ela se movimenta freneticamente. Se aproxima e se distancia dos ambientes e pessoas, agregando à matéria do filme a crise vivida pelos personagens. Assim como em “Take out”, filme de estréia de Sean Baker em co-direção com Shih-Ching Tsou, o tema transversal da obra é a imigração e a ilegalidade. No primeiro filme, são imigrantes chineses com problemas quanto a suas moradias. Em “Prince of Broadway”, é Lucky, um imigrante senegalês ilegal, e Levon, um libanês que conseguiu o seu Green Card ao se casar com uma americana. O conflito é gerado pela chegada inesperada de uma criança, um garoto de menos de dois anos que fará Lucky, forçadamente, se assumir pai.

Lucky trabalha como “traficante de produtos ilegais” nas ruas de Nova Iorque. Ele capta clientes e os leva até a loja de Levon, seu patrão. Na parte dos fundos da loja, são vendidas mercadorias falsificadas de grandes marcas. Tem de tudo: Gucci, Nike, Prada, Lacoste. A vida de Lucky é bagunçada quando uma de suas ex-namoradas deixa com ele um garoto dizendo ser seu filho. Mesmo contestando a situação, Lucky não tem o que fazer. Rapidamente sua ex-namorada foge e a criança, a qual ele não sabe nem o nome, passa a depender dele. Paralelamente, acompanhamos o drama da crise do casamento de Levon. No entanto, por este núcleo ser menos atraente que o principal, acaba ficando bem à margem durante a trajetória do filme. Escolha acertada, pois a trama principal é a que rende mais discussão.

O uso de atores não profissionais – o ator que interpreta Lucky, Prince Adu, foi encontrado por Baker durante uma visita ao bairro que serve de cenário ao filme – e a paisagem urbana legítima levam o filme ao contexto realista-social. A filmagem em digital, que propicia também uma equipe reduzida e, com isso, mais naturalidade na aproximação aos cenários reais, traz uma atmosfera documental – mas isso sem que, em momento algum, possa confundir o espectador se o caráter das imagens é ficcional ou não. O tema do filme, ao fim, acaba sendo menos a discussão sobre a imigração que as relações familiares, as relações afetuosas e de amizade. Com o tempo, o problema de Lucky com a imigração abre espaço a um drama bem maior: a adaptação da convivência com seu suposto filho e a sua transformação afetiva, temas de grande caráter universal.

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Os ganhadores do XI FIC Brasília:

Mostra competitiva:

Melhor filme: “Prince of Broadway”, de Sean Baker

Menção honrosa concedida pelo júri: “Tulpan”, de Sergei Dvortsevov

Menção honrosa pela atuação: Elsa Amiel, por “Nulle part, terre promisse”, de Emmanuel Finkiel

Prêmio TV Brasil:

Melhor filme: “Insolação”, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas

Menção honrosa concedida pelo júri: “Os famosos e os duendes da morte”, de Esmir Filho

Menção honrosa para direção: Lucía Puenzo, por “El niño pez”

Menção honrosa para melhor ator: Marcio Vito, por “No meu lugar”, de Eduardo Valente

Prêmio de excelência técnica: Mauro Pinheiro Júnior, pela fotografia nos filmes “Insolação”, “No meu lugar” e “Os famosos e os duendes da morte”




Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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