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“Insolação”, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas, e o vazio

Insolação chegou ao FIC Brasília gerando expectativas. Dirigido por Felipe Hirsch e Daniela Thomas (diretora dos excelentes Terra Estrangeira e Linha de Passe), o filme pretendia falar sobre o vazio das personagens usando como cenário a arquitetura de Brasília, com seus prédios imponentes e grandes espaços vazios. Como dito, o filme pretendia falar sobre o vazio, mas não conseguiu.

O filme não possui uma linha narrativa. Personagens vagam pela cidade proferindo frases de efeito que expressam seus sentimentos sobre a procura do amor e a tristeza quem sentem. Essa escolha é arriscada por si só, pois já afasta grande parte do público, mesmo assim, pode render belos filmes poéticos. Mas não é o caso de Insolação. As frases soam falsas e essa exposição de sentimentos parece não ter motivo algum. A impressão que dá é que o filme foi escrito por um adolescente deprimido que glamouriza a tristeza e acha que entendeu tudo da vida por ser mais triste que os outros. O filme não toca, pois não faz sentido algum.

Nem a parte técnica do filme ajuda a criar uma poesia visual. A fotografia, que poderia explorar os cenários que Brasília proporciona, não consegue fazer grandes planos. São raros os quadros de beleza que realmente interagem com o sentimento de vazio. Outro ponto fraco do filme é a direção de arte. Primeiro por ter a obsessão dos “filmes de arte” (odeio essa expressão) nacionais em colocar sempre objetos retrôs. A maioria das pessoas ligadas ao cinema cultua a época do Neorrealismo Italiano e da Nouvelle Vague e tentam reproduzir a qualquer custo a estética desses períodos. Mas qual a função desses objetos antigos no filme? No que eles casam com a proposta do filme? Em nada! insolacao_festival-do-rioApenas demonstram o estado adolescente que acometeu a equipe do filme. Segundo pelo aparente desleixo, que tem seu ápice numa cartolina branca colada de qualquer forma para cobrir as propagandas de uma lixeira na rua.

Para não dizer que tudo era ruim, o figurino feminino cria uma sensação válida. Vestidas com delicadeza, as mulheres do filme parecem ainda mais frágeis perante a dor que sentem. A desconstrução geográfica de Brasília também é destaque, fazendo com que a cidade não se torne óbvia nem para as pessoas que moram nela.

Mas quando se sai do cinema, a sensação é de que confundiram um filme sobre o vazio com um filme vazio, infelizmente. Insolação poderia ser uma experiência estética maravilhosa.

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Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani

“Insolação”, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas, 93 minutos

Sessões: dia 09 de novembro às 19:30h

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Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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