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nov
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O sexo do Japão ao Brasil: “I Am a S+M Writer”, de Ryuichi Hiroki, e “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, de Domingos Oliveira

vannaya-v-kino-655-01-_ya-sadomazo-pisatel_Dois filmes exibidos no FIC Brasília têm em comum tratar o sexo de uma forma engraçada. I Am a S+M Writer (Futei no kisetsu), de Ryuichi Hiroki, e Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, de Domingos Oliveira.

O filme de Hiroki conta a história de um escritor de livros eróticos que, com a ajuda de um assistente, encena em sua casa atos sexuais de sadomasoquismo. Sua esposa começa a achar os meios que o marido usa para conseguir sua inspiração pura tara, mas um dia toma coragem e se envolve em uma relação sadomasoquista.

I Am… é um filme com cenas de forte erotismo, mesmo assim é impossível não rir delas. O motivo principal é o escritor Kurosaki (Ren Ôsugi). Quando ele presencia ou ouve algumas das situações sexuais do filme (inclusive as que envolvem sua esposa), ele reage com empolgação, pois está conseguindo material para a história de seu livro. A satisfação do escritor não é pessoal, é profissional; beira a inocência.

Presente na sessão, Ryuichi Hiroki contou que o filme foi feito em apenas 10 dias e é baseado na história de um escritor. Segundo ele, é uma das histórias eróticas mais conhecidas no Japão.

todo-mundo-tem-problemas-sexuais03Já o filme de Oliveira mostra, em cinco partes, histórias sexuais de várias pessoas. Pessoas comuns mesmo. O filme é baseado na peça teatral homônima de Oliveira, que foi escrita conjuntamente com o psicanalista Alberto Goldin, que por sua vez escreve sobre sexo na coluna “Vida Íntima” do jornal O Globo e recebe cartas de vários leitores.

Baseados nessas cartas, têm-se cinco histórias bastante interessantes sobre os dilemas sexuais de todos: a insegurança que leva à impotência sexual momentânea; a culpa em assumir para si mesmo o gosto por práticas sexuais vistas como imorais pela sociedade; pessoas solitárias que marcam encontros via Internet; duas pessoas desavergonhadas que se gostam, mas entram num jogo de conquista que todos sabem onde vai dar; a falsa modernidade no sexo que esbarra no preconceito.

Tirando a história do casal que se encontra depois de um bate-papo na Internet, todas as outras histórias são comédias. Mas, independente de ser comédia ou drama, as cinco histórias são contadas deliciosamente sem pudores.

O único problema do filme é sua mistura de linguagens. O filme mescla cenas convencionais de cinema (os atores encenam com naturalidade, como se a câmera captasse o momento) com cenas em que os atores encenam no teatro para a platéia. Isso sem contar quando os atores encenam no teatro sem a platéia, olhando diretamente para a câmera. Durante as falas das personagens, cortes são feitos e passam de uma situação para a outra. Isso quebra o ritmo do filme e algumas ações chegam a perder sua graça.

De qualquer forma, Todo Mundo Tem Problemas Sexuais pode render boas risadas e despertar a mente de vários espectadores.

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Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani

“I Am a S+M Writer”, de Ryuichi Hiroki, 88 minutos

Sessões: dia 11 de novembro às 17:10h

“Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, de Domingos Oliveira, 80 minutos

Sessões: dia 11 de novembro às 19:30h, dia 14 de novembro às 20h

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Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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