Posts Tagged ‘festival

01
nov
09

Nem só de Ozu, Mizoguchi e Kurosawa vive o cinema japonês

E para demonstrar isso, o XI FIC Brasília organizou uma mostra com cinco filmes de Ryuichi Hiroki. Ele é considerado um dos mais criativos cineastas japoneses. No entanto, suas obras são pouco veiculadas no Brasil. Uma marca de seu cinema são os planos longos e o uso do suporte digital, um dos pioneiros dessa estratégia em seu país. Hiroki começou sua carreira trabalhando como assistente de direção no cinema pink,  a pornochanchada japonesa. Tal qual este cinema brasileiro, o cinema pink foi gênero dominante entre as décadas de 60 a 80, produzindo filmes eróticos de baixo orçamento. Os filmes de Hiroki são provocativos, talvez herança de seu início no cinema. Seus personagens são urbanos, a câmera capta seus intensos conflitos psicológicos e há certa insistência em temas sexuais. Três de seus filmes estiveram por Brasília na mostra “Japão pop”, organizada pelo CCBB no primeiro semestre de 2006. Dois deles, “It’s only talk” e “Vibrator”, voltam agora para o panorama organizado pelo FIC.

I-AM-S_M

"I am a S+M writer", filme de Hiroki que integra a mostra organizada para o XI FIC Brasília

Não deixem de ver “Vibrator”, espécie de road-movie que trata de problemas femininos, filme de 2003 que foi escolhido pela crítica como um dos melhores filmes do ano e o primeiro a destacar o nome de Hiroki. O Festival receberá o diretor para debates sobre seus filmes no dia 5 de novembro, após exibição de “Your friends”, no dia 6 após “Vibrator”, no dia 7 após “I Am S+M Writer” e, no dia 8, após “Your friends”.

Confirme o horário das sessões pelo site do FIC Brasília. Todas as sessões desta mostra acontecerão no cinema da Academia de Tênis.

**

“April Bride”, 2009, 127 minutos

Uma jovem mulher é diagnosticada de câncer de mama e esconde esta informação de seu namorado. Quando ele descobre, decide planejar um casamento mesmo sabendo que ela só tem um mês de vida.

Sessões: 09 de novembro, 19:20h; 11 de novembro, 19h; 13 de novembro, 19h; 15 de novembro, 19:30h

“I Am S+M Writer”, 2000, 88 minutos

Kurosaki é um escritor fracassado que começa a escrever pornografia sadomasoquista barata como um extra. Buscando inspiração, ele contrata jovens modelos para montar vários cenários sexuais. Sentindo-se rejeitada, sua esposa, responde flertando com outros homens.

Sessões: 7 de novembro, 21:20h; 8 de novembro, 17:10h; 9 de novembro, 19h; 11 de novembro, 17:10h

“It’s only talk”, 2005, 127 minutos

Yuko, uma mulher solteira e desempregada que passa por um período de depressão, divide seu tempo entre alguns amigos homens, cada um com seu estilo próprio. Para conviver com cada um deles, ela adapta sua própria personalidade, atuando de diferentes formas dependendo de quem está por perto, o que acaba escondendo de todos como ela realmente é.

Sessões: 7 de novembro, 15h; 9 de novembro, 21:10h; 11 de novembro, 17h; 15 de novembro, 15h

“Vibrator”, 2003, 95 minutos

Rei Hayakawa, uma escritora independente, tem o dom de ouvir vozes dentro de sua cabeça. Mas as vozes lhe causam dor: elas a preocupam, dificultam seu sono, a levam a beber e causam desordens alimentares. Uma noite, em uma loja de conveniência, com as vozes mais altas que nunca em sua cabeça, ela conhece um motorista de caminhão. Ela decide embarcar com ele em uma viagem e, enquanto seu corpo se rende às vibrações do caminhão, vai aos poucos se libertando das vozes em sua cabeça.

Sessões: 6 de novembro, 19h; 11 de novembro, 21:50h; 12 de novembro, 17h; 13 de novembro, 19h

“Your friends”, 2008,125 minutos

Baseado no romance de Kiyoshi Shigematsu, “Your Friend” narra a estória de uma longa amizade entre duas garotas: Emi (Anna Ishibashi), que tem uma doença degenerativa renal e Yuka (Ayu Kitaura), que ficou manca após um acidente de carro causado parcialmente por Emi. Embora inicialmente Yuka carregue ressentimento, as duas vão se aproximando aos poucos devido a seu mútuo entendimento do que é possuir necessidades especiais.

Sessões: 5 de novembro, 19h; 8 de novembro, 17h; 9 de novembro, 19h

22
out
09

Confira os selecionados para a mostra competitiva do FIC Brasília 2009 – parte 2

Vamos a segunda parte do post:

4. “Good Morning Aman”, de Claudio Noce, produção italiana, 105 minutos

Este é o filme de estréia do italiano Claudio Noce, premiado diretor em curtas-metragens. “Good Morning Aman” é todo filmado com câmera na mão e seu ritmo e temática tem tudo para atrair um público mais jovem. Este filme vem da Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2009, seleção anual de talentos novos ou promissores que é uma das seções de destaque do evento. O protagonista do filme é Aman, um garoto somaliano que, nas noites de insônia, perambula pelas ruas de Roma, cidade onde mora e trabalha. Numa dessas noites ele conhece Terry, um misterioso ex-pugilista de 40 anos. A relação ambígua entre os dois, o discurso sobre diferenças culturais, imigração e racismo formam o eixo central da obra. Pelas críticas que saíram das exibições em outros festivais, é um bom filme, mas não imperdível.

5. “Hiroshima”, de Pablo Stoll, co-produção Uruguai / Colômbia / Argentina / Espanha, 80 minutos

Será este o festival dos filmes latinos? Lucía Puenzo, Adrián Caetano e Pablo Stoll são nomes bastante representativos. E “Hiroshima” é outro filme que não perco por nada. Pra quem não se lembra de Stoll, em 2004 ele co-dirigiu “Whisky” com Juan Pablo Rebella. Cinco anos depois, ele lança “Hiroshima” no Festival de Toronto. Estou bastante curiosa pra ver esse musical silencioso baseado em fatos reais de narrativa aparentemente simples. O filme acompanha Juan, vocalista de uma banda de rock que não gosta muito de falar, que trabalha numa padaria de noite, mas some de dia. O filme é sobre o que acontece quando essa personagem desperta. E vale prestar atenção nas produções latinas que estréiam nos cinemas fora do circuito dos festivais. Existem aqueles filmes que passam despercebidos, outros que são honestos e alguns geniais. Sem dúvida, “Gigante”, filme uruguaio dirigido por Adrián Biniez e produzido pela mesma empresa que realizou “Hiroshima”, é genial e também deve ser visto.

[Update: Me redimo quanto a esse filme. Leia aqui comentários sobre ele, depois de tê-lo assistido]

6. “Nulle part terre promise”, de Emanuel Finkiel, produção francesa, 94 minutos

Finkiel foi assistente de direção de Godard e Kieslowski. Não vi seus filmes anteriores (“Madame Jacques on the Croisette”, “Voyages” e “Casting”), mas acredito que ele deve ter aprendido boas coisas. “Nulle part terre promise” é um multi-plot que segue vários personagens que não se relacionam entre si, no entanto, têm em comum a busca de sua terra prometida na Europa contemporânea. São eles o gerente de uma fábrica, um estudante que filma uma reportagem enquanto aguarda uma ligação de seu amante e um homem curdo e seu filho que tentam entrar ilegalmente na Inglaterra. “Nulle part terre promise” vem do Festival de Locarno 2008 e foi o ganhador do prêmio Jean Vigo. Grandes expectativas para esse filme premiado de um diretor que para mim ainda é desconhecido.

E ainda faltam quatro filmes! Amanhã postarei sobre duas produções dos EUA, uma do Cazaquistão e uma japonesa!

19
out
09

Confira os selecionados para a mostra competitiva do FIC Brasília 2009 – Parte 1

Férias marcadas, novembro é o mês que vou me dedicar a ver cinema. Primeiro, o FIC – Festival Internacional de Cinema – e, na sequência, o Festival de Cinema de Brasília. Agora, o problema número 2: com tantos filmes que irão ser exibidos no FIC 2009 – que conta com quase 100 filmes -, fica difícil escolher o que ver. Começo minha seleção pela mostra competitiva que, nas edições anteriores do FIC que acompanhei, não me decepcionou.

Lembrando: O FIC 2009 começa no dia 4 de novembro e vai até o dia 15, com sessões diárias no Cine Academia e Centro Cultural Banco do Brasil. Assim que forem divulgados os horários dos filmes, faço um update!

Este post é dividido em três partes, o restante dos filmes entrará nos próximos dias.

1. “Defamation”, de Yoav Shamir, co-produção Israel/Austrália/EUA/Dinamarca, 91 minutos.

Este filme esteve na première mundial do Festival de Berlim e no BAFICI, Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires. Os outros dois longas do seu diretor, Yoav Shamir, já passaram por Brasília. Em 2004, seu filme de estréia, “Checkpoint”, esteve no “É tudo verdade” e, em 2006, o filme “Cinco Dias” esteve na mostra competitiva no FIC. Em “Defamation“, Yoav volta ao ambiente já retratado em seus outros dois filmes: a luta ideológica e política entre palestinos e israelenses. Com tom satírico, o autor, um judeu de Israel, se pergunta o que é o antisemitismo, tema bastante importante para o seu povo. Shamir vai ao encontro de instituições que tratam de denúncias contra o antisemitismo, conversa com estudiosos sobre o tema e descobre um “turismo do holocausto”.

2. “El nino pez”, de Lucía Puenzo, co-produção Argentina/França/Alemanha, 96 minutos.

Um dos filmes que aguardo com mais curiosidade. As obras de Lucía Puenzo são boas amostras do cinema que está se produzindo na Argentina. Foi dela o prêmio de melhor filme da mostra competitiva do FIC 2007, com o longa “XXY”. El nino pez estreou com destaque no Festival de Berlim. A lenda paraguaia do menino peixe é contada por Ailín à Lala, a filha do dono da casa onde trabalha. As duas dividem um segredo – e um pacto – que é o ponto inicial da trama. Em mais um drama familiar, Lucía avança e trabalha com temas que tangenciavam sua obra anterior, como o amor homossexual entre duas mulheres. Tema que passa próximo também de “O Pântano”, da argentina Lucrécia Martel, no tratamento que oferece ao relacionamento entre Isabel e Momi, respectivamente a empregada e a filha mais nova da dona da casa.

3. “Francia”, de Andrián Caetano, produção Argentina, 77 minutos.

Adrián Caetano esteve no Brasil há pouco tempo pela mostra de cinema argentino “Birra, crise e poesia”. Ele é o diretor do já clássico “Pizza, birra, faso”, de 1998, longa no qual cinco adolescentes perdidos em Buenos Aires planejam um assalto – este filme marca o início do denominado novo cinema argentino. Adrián também foi indicado à Palma de Ouro pelo filme “Crônica de uma fuga”, de 2006. Bom, com essa apresentação, se pode esperar boa coisa do seu filme mais recente. Nele, um retrato de uma família é tecido pelo ponto de vista de uma adolescente. Adrián propõe um discurso ambientado na classe média, tendência argentina que chega também ao cinema brasileiro, como no último de Heitor Dhalia, “À Deriva”.

Defamation, 2009, Yoav Shamir, Isr/Austr/US/Din, Festival de Berlin, 91”




Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

Categorias

no twitter: