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07
out
09

À Deriva, filme de Heitor Dhalia

Ainda contrariada pela não indicação ao oscar de “À Deriva” – que não chegou a ser inscrito pelos seus produtores para concorrer à vaga -, encontrei esse texto que escrevi na ocasião do lançamento do filme e que publico aqui, à espera de seu próximo filme: um noir com características de road movie chamado “Uma mulher e uma arma”. O longa ainda está em fase de pré-produção e terá como cenários a cidade de Buenos Aires e a Patagônia, na Argentina. Dhalia é um dos fundadores da Cellululoid Dreams Brasil, filial da renomada produtora francesa, empresa que tem como principal objetivo produzir longas que possam atingir o mercado local e internacional.

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aderiva

O terceiro filme de Heitor Dhalia, depois dos exitosos “Nina” e “O cheiro do ralo”, chega aos cinemas em junho. “À Deriva” teve sua estréia no festival de Cannes deste ano, sendo exibido na competição paralela da mostra Um Certain Regard. A escolha deste festival para a primeira exibição do filme não foi feita ao acaso. Além de representar um trampolim para qualquer filme, “A Deriva” leva características que o situam neste ambiente e na trajetória do próprio festival. Dhalia afirma ter nos cineastas franceses grande parte de sua influência: “É uma história e um estilo que tem muito a ver com uma certa tendência do cinema francês, de diretores como (Eric) Rohmer e (François) Truffaut, dos filmes de jovens adolescentes, e também do italiano, sobre férias de verão e família”.

Descrito pelo diretor como um filme pessoal, mas não autobiográfico, tem todo um clima de lembrança, a começar por se situar na década de 80 – parece um velho recordatório de antigas férias de verão. Nos é apresentado o drama de Filipa, uma adolescente de 14 anos que passa as férias com a família no litoral. A menina se depara com suas primeiras descobertas sexuais ao mesmo tempo que presencia a crise no casamento dos pais e descobre o envolvimento do pai com uma amante, pivô de uma iminente separação do casal.

O drama da obra funciona como rito de passagem entre a infância e adolescência da protagonista. O filme aborda questões amargas com suavidade em seu tratamento. Acompanhamos o filme pelo ponto de vista de Filipa. Ela vê a sua família se dissolvendo e, junto ao espectador, tenta entender o que está ocorrendo com os pais.

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Foto: Flickr de Alexandre Ermel

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Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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