Posts Tagged ‘James Toback

13
nov
09

“Tyson”, de James Toback: falatório incessante de um personagem que clama por redenção

tyson_movie“Tyson” é um filme extremamente verborrágico. Claro, grande parte dos documentários dedicam longo tempo ao falatório dos entrevistados. O que este filme tem de específico é extravasar esse conteúdo, num retrato obsessivo de um personagem que clama por redenção. Fui assisti-lo já sabendo que só iria encontrar relatos de Mike Tyson e algumas poucas imagens de arquivo. Encontrei a ilustração de várias conversas ao mesmo tempo, num efeito que dividia a tela, além da sobreposição de vozes, seqüelas do fluxo de consciência que caracteriza a passagem dos temas e do personagem que desata em discursos às vezes confusos.

Não consegui sentir simpatia por Tyson. Seu relato é monocorde, o mesmo tom com que fala de seu início no boxe, de suas vitórias, de sua família, usa para falar da sua acusação de estupro, da mordida em Holyfield, do problema com consumo de drogas, de sexo e gonorréia. Só interrompe este tom para falar de seu professor Cus, homem que teve grande importância em sua trajetória e a quem sua morte é o motivo encontrado por Tyson para justificar grandes erros de sua vida. Só falando dele Tyson consegue chorar. E só Cus consegue calar Tyson e é a única segunda voz que se escuta durante a uma hora e meia de filme. O documentário serve, talvez, aos psicólogos que queiram observar o transtorno de bipolaridade ou a algum aficionado pelo ex-boxeador. Sem ter afinidade com o personagem ou seu problema, assistir ao filme pode ser uma tortura.

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Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani

“Tyson”, de James Toback, 90 minutos

Sessões: Dia 13 de novembro às 18:10h, dia 14 de novembro às 17:50h e dia 15 de novembro às 17h

24
out
09

Confira os selecionados para a mostra competitiva do FIC Brasília 2009 – parte 3

Parte 1

1. “Defamation”, de Yoav Shamir, co-produção Israel/Austrália/EUA/Dinamarca, 91 minutos

2. “El nino pez”, de Lucía Puenzo, co-produção Argentina/França/Alemanha, 96 minutos

3. “Francia”, de Andrián Caetano, produção argentina, 77 minutos

Parte 2

4. “Good Morning Aman”, de Claudio Noce, produção italiana, 105 minutos

5. “Hiroshima”, de Pablo Stoll, co-produção Uruguai / Colômbia / Argentina / Espanha, 80 minutos

6. “Nulle part terre promise”, de Emanuel Finkiel, produção francesa, 94 minutos

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Acabam aqui os posts sobre a mostra competitiva do FIC Brasília 2009. Esses são os últimos quatro filmes a integrar a seção. É isso, bom filme pra gente!

7. “Prince of Broadway”, de Sean Baker, produção dos EUA, 104 minutos

Um filme bem recomendado. É sobre uma grande cidade e seus imigrantes, dessa vez, Nova Iorque. Vem de uma já longa carreira internacional, arrebatando diversos prêmios do júri e público. O longa de Sean Baker chegou a ganhar simultaneamente, num mesmo dia, dois prêmios em dois festivais de continentes diferentes, o da audiência no Festival de Belfort e o do júri no Woodstock Film Festival. “Prince of Broadway” é a história de Lucky, imigrante ilegal de Ghana que trabalha para Levon, imigrante armênio dono de uma loja de produtos de moda falsificados. O conflito entra quanto uma mulher apresenta um garoto a Lucky e lhe diz que ele é seu filho. Ele é obrigado a cuidar da criança quando a mãe foge. Como não sabe seu nome, começa a chamá-lo de Prince. Isso ocorre enquanto Levon luta para salvar um casamento falido. Trama de enorme simplicidade que é tratada com realismo e humor.

[Update 17/11: Este foi o grande vencedor do XI FIC Brasília. Leia aqui comentários sobre o filme.]

8. “Tulpan”, de Sergei Dvortsevoy, produção do Cazaquistão, 100 minutos

Não caia na armadilha de achar que este é um filme entediante ou cheio de exotismos incompreensíveis à nossa cultura. Vencedor do prêmio Um Certain Regard do Festival de Cannes 2008 e primeiro longa-metragem de Sergei Dvortsevoy, é uma obra que foge de definições simplistas. É a história de pastores nômades filmada de forma semi-documental, mas também é uma história de amor cheia de misticismo, uma comédia e um drama familiar. Asa, o protagonista, retorna ao bando nômade de sua irmã na desolada Hunger Steppe para iniciar a carreira não promissora de pastor. Porém, antes de cuidar de seu rebanho, Asa precisa conquistar a única solteira elegível: sua misteriosa vizinha Tulpan. A história é tratada com humanismo e naturalidade num filme que reúne também camelos assustados e crianças travessas. Haverá neste caos certa dose de Kusturica? Mais um que entra pra lista daqueles que não perderei por nada.

[Update 17/11: Este filme é realmente sensacional, um dos grandes prazeres do XI FIC Brasília. Leia aqui comentários sobre ele, depois de tê-lo assistido]

9. “Tyson”, de James Toback, produção dos EUA, 90 minutos

Este filme também foi exibido na mostra Um Certain Regard do Festival de Cannes. O documentário realizado por James Toback – de “The Gambler” e “Os dois mundos de Billie” – é um retrato do ex-boxeador Mike Tyson. Diferenciando-se da estratégia usual de outros documentaristas, o filme não inclui depoimentos de outras pessoas além do próprio Tyson, personagem único que não divide espaço nem com o diretor do filme, ausente em imagem – mas não da narrativa, pois é um filme de fortes marcas autorais, perceptíveis pela maneira em que o estado emocional do espectador e do personagem são manipulados. O filme dividiu as platéias por onde passou. Talvez, pela força polêmica de sentir simpatia por um estuprador condenado. A obra de Toback nos obriga a ver Tyson através de entrevistas antigas, depoimentos do ex-lutador e fotografias de arquivo, trazendo à tona um ser humano às vezes complexo e outras patético.

[Update 17/11: Clique aqui e veja comentários sobre este filme, após tê-lo assistido]

10. “Wakaranai” ou “Where are you?”, de Masahiro Kobayashi, produção japonesa, 104 minutos

“Wakaranai” é um filme de minimalismo dramático com poucos diálogos. Esteve no Festival de Locarno em agosto, gerando boas críticas. A história é centrada em Ryo, um garoto de 16 anos que é demitido do supermercado onde trabalha por roubar comida. Sem ter como cobrir a dívida da internação de sua mãe num hospital e, quando ela morre, do funeral, o garoto rouba o corpo da mulher e o coloca num pequeno barco. Ele então vai à Tóquio para encontrar alguém cuja identidade só será revelada ao final. Um adolescente em sua busca solitária pela salvação, a fome e a tristeza são os temas deste filme que nos apresenta um outro Japão, diferente do colorido e da modernidade a qual sua imagem é comumente associada.

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Minhas apostas:

“El nino pez”, de Lucía Puenzo, co-produção Argentina/França/Alemanha, 96 minutos

“Hiroshima”, de Pablo Stoll, co-produção Uruguai / Colômbia / Argentina / Espanha, 80 minutos

[Update 17/11: Um dos meus grandes enganos! Assisti “Hiroshima” e não gostei. Comentários sobre o filme aqui]

“Prince of Broadway”, de Sean Baker, produção dos EUA, 104 minutos

“Tulpan”, de Sergei Dvortsevoy, produção do Cazaquistão, 100 minutos

Acompanhe a programação diária pelo site do XI FIC Brasília.




Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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