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15
out
09

Tributo a La Negrita

Junto a Piazzolla, Borges e Gardel, Mercedes Sosa forma o hall das importantes figuras argentinas. Ela é, sem dúvida, uma das mais expressivas cantoras latino-americanas. “É”, no tempo presente, porque ela se recusou a morrer. Seu último álbum, “Cantora”, foi lançado este ano e vem acompanhado do registro visual das gravações em estúdio. Este documentário de 60 minutos, chamado “Mercedes Sosa – Cantora, un viaje íntimo”, mostra o making of da gravação deste álbum de duetos, depoimentos de Mercedes, nos quais ela retoma parte de sua trajetória, além dos testemunhos dos convidados. Se, por um lado, é visível o respeito que os convidados têm por Mercedes, é também impressionante a admiração que La Negra  dispensa aos cantores com quem divide o microfone. Tanto é que grande parte das músicas escolhidas para o álbum são dos convidados. São eles, entre outros, Caetano Veloso – com quem canta “Coração vagabundo” em português -, Julieta Venegas – artista pop mexicana que por aqui não chegou a fazer o sucesso que alcançou na América Latina -, Charly Garcia – é também um dos mitos argentinos, polêmico cantor, compositor e multi-instrumentista de rock -, Luis Alberto Spinetta – rockeiro argentino de grande sucesso na década de 70, por quem Mercedes dispensa grande empatia -, María Granas – que, segundo Mercedes, tem uma das mais lindas vozes -, e a brasileira Daniela Mercury.  A emoção com que La Negra canta e a crença na mensagem que passa – fique atento ao fim da música que canta com Spinetta – demonstram a devoção com a qual ela – e sua memória – deve ser tratada.

Mercedes representa muito ao patrimônio cultural americano, tanto musical quanto ideologicamente. É a maior voz do folclore latino americano e lidera um público heterogêneo. A música folclórica argentina é bastante difundida no país, inclusive entre os mais jovens. É também uma figura da resistência. Em 1979, em pleno regime ditatorial, ela e o público que assistia a seu show foram presos. Perseguida pelos militares por ser peronista, foi obrigada a se refugiar em Paris, voltando a Argentina somente em 1982.”Estava desesperada para voltar”, diz Mercedes durante o documentário.

“Cantora”, álbum duplo e documentário, foram lançados dois meses antes de sua morte. Com ares de tributo, Mercedes se despede cantando, na última cena do documentário, alguns versos de uma música de Charly Garcia. Bom, o que ela canta – capaz de impressionar até os não facilmente impressionáveis – fica pra quem tiver a oportunidade de ver o filme.

Veja aqui um trecho do documentário. A música é “Barro tal vez”, um dos hinos de Spinetta.

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Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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