Posts Tagged ‘musical

31
jan
10

O Bolo do amor por Catherine Deneuve

Não consegui conter meu entusiasmo com “Pele de asno”. Pra quem ainda não foi convencido a assiti-lo pelo post anterior, aqui vai um trecho do filme.

“Pele de asno” (“Peau d’âne”), de Jacques Demy, 1970

Com Catherine Deneuve, Jean Marais e Jacques Perrin.

26
jan
10

Jacques Demy, filmes bonitos e idéias sobre “Onde vivem os monstros”

“Pele de asno” (“Peau d’âne”), de Jacques Demy (1970)

Um daqueles bem especiais. Influenciada pela Agnès Varda, fui assistir aos filmes do Jacques Demy – seu marido – e por conta dele me aproximei dos musicais. “Pele de asno” não foi fácil de encontrar e assisti-lo depois de tanta procura foi só delicioso. Catherine Deneuve é sua atriz-fetiche e aqui, neste filme realizado três anos depois de “Duas garotas românticas” e após a premiação de “Os guarda-chuvas do amor” em Cannes, está ela novamente. Ambientado em um reino distante,  uma rainha no leito da morte obriga o rei a fazer uma promessa: ele só se casaria outra vez se a pretendente fosse mais bonita que ela. Com a morte da mulher, o rei sai em busca da tal pretendente. No entanto, a única mulher mais bela que sua falecida esposa é sua filha, a princesa interpretada por Catherine Deneuve. Longe da culpa moral e sem entrar na discussão sobre o suposto incesto, a princesa pede conselhos à sua fada-madrinha que lhe proíbe de aceitar o pedido de casamento, ao qual a princesa tendia a ceder. Num ambiente ora infantil, ora surrealista, se desenvolve essa trama cheia de boas e más intenções. A estratégia para adiar a cerimônia é fazer pedidos de casamento difíceis de serem atendidos e, quando nenhum pedido pode mais ser feito, se refugiar em uma floresta vestindo uma pele de asno. E ali, trabalhar como criada e esperar que um príncipe note sua beleza enquanto todos  os outros a desprezam.

E porque não assistir – ou voltar a assistir – a esses três filmes de Jacques Demy? Me aproprio deles e os chamo de trilogia. “Pele de asno” é o menos musical, no sentido estrito, dos três. “Os guarda-chuvas do amor” é o primeiro filme totalmente cantado e, dizem por aí, roubou a Palma de Ouro de “Deus e o Diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha. “Duas garotas românticas” já valeria pelo dueto de Françoise Dorleac e Catherine Deneuve, irmãs na trama e na vida real. Doleac, em seu último filme, morre tragicamente na época do lançamento de “Duas garotas românticas”. Os três tem produção musical de Michel Legrand, compositor e pianista que é um dos grandes nomes do jazz.

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“A cidade das crianças” (“Les enfants de Timpelbach”), de Nicolas Bary (2008)

Bastante atrativo para crianças, mas fico em dúvida se é esse seu público-alvo. Certamente, de tão bonito está fácil de agradar adultos. Em tom fabulesco, garotos de mau comportamento são castigados pelos pais e professores. Os adultos decidem pregar uma peça nos pequenos ao abandonar a pequena cidade de Timpelbach por um dia, deixando-os desamparados. No entanto, os adultos são tomados como reféns pela cidade vizinha, o que os impede de voltar. Na ausência dos adultos, os pequenos se dividem em bandos, um deles formado por crianças boas e outro pelo grupo de crianças marginais. É aí que o filme se torna interessante. Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa. Da inocência infantil, pontuada por pequenas travessuras, o filme adquire um tom um pouco assustador. Já que os adultos estão ausentes, alguém deve ocupar o lugar deles. E as crianças apreendem fácil a truculência e a burocracia. Temperado por belíssimo figurino e fotografia – onde a verossimilhança está bem em segundo plano – é esta uma daquelas histórias fantásticas e de grande sensibilidade plástica.

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“Onde vivem os monstros” (Where the wild things are”), de Spike Jonze (2009)

Spike Jonze, tal qual Michel Gondry, saiu do vídeo clipe. A comparação destes dois vem, na minha cabeça, por terem uma forte marca autoral que é, de maneira abrangente, bem similar. Esta marca é a loucura ou estranheza, que em Gondry está presente mais nos artifícios de montagem e efeitos de câmera e que, em Jonze, se mostra mais forte na narrativa. Em “Onde vivem os monstros”, filme que andam chamando de infanto-juvenil, um garotinho mimado se reclusa em seu mundo imaginário, habitado por criaturas peludas que o consagram rei. O filme tem efeitos maravilhosos onde se percebe o cuidado com cada detalhe – não sei quanto tempo demorou a ficar pronto, mas é o primeiro longa de Jonze desde 2002. Plasticamente, o filme é impecável – os monstros me lembraram os da saga “A história sem fim”, alguém compartilha comigo essa impressão? Mas o que me impressionou mesmo foi a verossimilhança com situações típicas de criança. Me vi bastante neste filme. Na inocência das situações, nos bonequinhos de miolo de papel higiênico, na cabaninha feita na cama da mãe. O ponto de vista da criança está por completo e me arrisco a dizer que este é um filme audacioso sobre a infância, para adultos.

Veja também:

Versões para os personagens do livro que deu origem ao filme

Make a monster (esse link é bobo, ok?)

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“Pele de asno” (“Peau d’âne”), de Jacques Demy, 90 minutos

DVD pela Dreamland.

“Cidade das crianças” (“Les enfants de Timpelbach”), de Nicolas Bary, 95 minutos

DVD pela Califórnia Filmes.

“Onde vivem os monstros” (“Where the wild things are”), de Spike Jonze, 101 minutos

Em cartaz nos cinemas.

13
nov
09

“Hiroshima”, de Pablo Stoll: ensaio ou frustração?

hiroshima

“Hiroshima”, de Pablo Stoll, não é um musical. Tampouco é um drama, romance ou comédia. É mais um filme demasiado cansativo que tenta transitar – ou subverter – as normas destes gêneros sem, ao fim, se identificar com nenhum. Fui assisti-lo com muita expectativa. Stoll foi co-diretor de “Whisky”, um dos filmes que mais gosto. No entanto, fui embora da sessão bastante desapontada e entediada

Juan, o protagonista, sai do trabalho, vai pra casa e vê um bilhete de seus pais. A ele são atribuídas diversas tarefas domésticas. Ele as realiza, sai de casa, encontra sua namorada, se despede dela e encontra alguns amigos. Passa o dia com eles. Anoitece e ele vai a um bar para se apresentar numa banda de rock. Fique tranqüilo(a), o enredo do filme, que contei aqui por inteiro, não faz muita diferença. Se este filme pode tocar alguém, é pela subversão de gênero – bem batida, diga-se de passagem – e pela beleza que alguns planos. O filme é todo uma seqüência de historietas, construídas a partir da linguagem de vídeo-clip. Cada uma dessas ações forma um núcleo que recebe um tratamento específico em imagem. O filme tem algumas “sacadas” que são interessantes como, por exemplo, a inverção da base dos musicais. A trilha sonora persiste em todos os momentos da obra e só falta na hora dos diálogos que, ou são sobrepostos pela música ou ocorrem no silêncio para depois ser mostrada uma cartela com os dizeres dos personagens. Situação que, de maneira previsível, se inverte ao final. Legal, né? Também achei, mas estendido por 80 minutos, passa a ser insuportável.

Para mim, ele é o ensaio do que poderia vir a ser um bom filme. Ou, o que poderia ter sido um bom curta-metragem.

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Em cartaz no XI FIC Brasília. Academia de Tênis José Farani

“Hiroshima”, de Pablo Stoll, 80 minutos

Sessões: 14 de novembro às 19:50h

15
out
09

Tributo a La Negrita

Junto a Piazzolla, Borges e Gardel, Mercedes Sosa forma o hall das importantes figuras argentinas. Ela é, sem dúvida, uma das mais expressivas cantoras latino-americanas. “É”, no tempo presente, porque ela se recusou a morrer. Seu último álbum, “Cantora”, foi lançado este ano e vem acompanhado do registro visual das gravações em estúdio. Este documentário de 60 minutos, chamado “Mercedes Sosa – Cantora, un viaje íntimo”, mostra o making of da gravação deste álbum de duetos, depoimentos de Mercedes, nos quais ela retoma parte de sua trajetória, além dos testemunhos dos convidados. Se, por um lado, é visível o respeito que os convidados têm por Mercedes, é também impressionante a admiração que La Negra  dispensa aos cantores com quem divide o microfone. Tanto é que grande parte das músicas escolhidas para o álbum são dos convidados. São eles, entre outros, Caetano Veloso – com quem canta “Coração vagabundo” em português -, Julieta Venegas – artista pop mexicana que por aqui não chegou a fazer o sucesso que alcançou na América Latina -, Charly Garcia – é também um dos mitos argentinos, polêmico cantor, compositor e multi-instrumentista de rock -, Luis Alberto Spinetta – rockeiro argentino de grande sucesso na década de 70, por quem Mercedes dispensa grande empatia -, María Granas – que, segundo Mercedes, tem uma das mais lindas vozes -, e a brasileira Daniela Mercury.  A emoção com que La Negra canta e a crença na mensagem que passa – fique atento ao fim da música que canta com Spinetta – demonstram a devoção com a qual ela – e sua memória – deve ser tratada.

Mercedes representa muito ao patrimônio cultural americano, tanto musical quanto ideologicamente. É a maior voz do folclore latino americano e lidera um público heterogêneo. A música folclórica argentina é bastante difundida no país, inclusive entre os mais jovens. É também uma figura da resistência. Em 1979, em pleno regime ditatorial, ela e o público que assistia a seu show foram presos. Perseguida pelos militares por ser peronista, foi obrigada a se refugiar em Paris, voltando a Argentina somente em 1982.”Estava desesperada para voltar”, diz Mercedes durante o documentário.

“Cantora”, álbum duplo e documentário, foram lançados dois meses antes de sua morte. Com ares de tributo, Mercedes se despede cantando, na última cena do documentário, alguns versos de uma música de Charly Garcia. Bom, o que ela canta – capaz de impressionar até os não facilmente impressionáveis – fica pra quem tiver a oportunidade de ver o filme.

Veja aqui um trecho do documentário. A música é “Barro tal vez”, um dos hinos de Spinetta.

05
out
09

MTV exibe faixa de documentários musicais

Há pouco tempo voltei a acompanhar a programação da MTV Brasil. A emissora já havia me surpreendido com a simpática série “Descolados”, que acaba essa semana. Uma outra programação muito boa é o Doc MTV, faixa de documentários musicais exibida aos sábados à noite com reprise no domingo – os horários variam, é bom conferir pelo site da emissora. Neste fim de semana foi exibido “Brega S.A.”, documentário dirigido por Gustavo Godinho e Vladimir Cunha sobre a cena tecnobrega de Belém do Pará, movimento de grande apelo popular que agrega diversos ritmos, entre eles o já conhecido Brega pop – ou Calypso.

Boa iniciativa, já que muitos dos documentários são inacessíveis ao grande público – com destaque para “Ruído das Minas”, documentário sobre a cena heavy metal de Belo Horizonte realizado sem muitas pretensões como trabalho de conclusão de curso de dois alunos da UFMG. Não gosto muito dessa alcunha, mas a escolha dos filmes foi bastante democrática. Sábado que vem vou tirar minha camisa de flanela quadriculada do armário e acompanhar o “1991: The year that punk broke”, documentário feito em VHS que acompanha o Nirvana e o Sonic Youth em uma turnê pela Europa. Vale lembrar que o Sonic Youth está confirmado pro Planeta Terra. No fim do mês, será exibido “Mundo tributo”, documentário argentino sobre bandas covers que presta homenagem aos artistas anônimos que se transformam em seus ídolos. Nada mal assistir esses filmes e aproveitar o bom humor do programador da MTV.

Aqui, a programação das próximas semanas, tirado do site da MTV:

1991 – The year that punk broke:

O documentário acompanha o Sonic Youth e o Nirvana durante uma turnê pela Europa no final de 91, além de participações de Dinosaur Jr, Babes in Toyland, Gumball, Ramones, Mark Arm, Dan Peters e Matt Lukin, do Mudhoney, além de Courtney Love, e Joe Cole.
sábado, 10/10, 23h30
reprise: domingo, 11/10, 18h30

Queen – Days of our lives:

A história de uma das bandas mais importantes da história é passada a limpo nesse documentário. Apresentado por Axl Rose,  fã assumido da banda, o filme traz os integrantes do Queen em apresentações histórias, entrevistas marcantes e depoimentos bombásticos.
sábado, 17/10, 00h00
reprise: domingo, 18/10, 19h15

Mundo tributo:

Documentário argentino sobre as melhores bandas covers do mundo.
sábado, 24/10, 23h30
reprise: domingo, 25/10, 19h30

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Outras coisas:

Festival internacional de documentário musical, que irá ocorrer em março de 2010 em SP e RJ.




Rafaela Camelo

Brasiliense, audiovisualista, interessada em ver, comentar e trocar experiências sobre cinema.

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